quinta-feira, 2 de abril de 2026

A desvantagem de ser o segundo 2ª Parte

 Braz Melo*

Semana passada discorri sobre as dificuldades de ser a segunda cidade de um Estado, como é Dourados em relação a Mato Grosso do Sul.

E iniciei escrevendo sobre logística, que muitas vezes resolve para uns, mas é prejudicial para outros.

É o caso de Dourados, que foi muito prejudicada. E isso, depois de feito, é difícil de consertar.

Em 1994, fui eleito vice-governador do Dr. Wilson Barbosa Martins. E apesar de Dourados ter dado a maior vitória à nossa chapa, recebemos muito pouco para representar nossa região. Ficamos com uma secretaria adjunta da Educação, para a qual indicamos a professora Doraci de Moraes e como adjunto da secretaria estadual de Administração, o Alaor Azambuja.

Quando senti que o quadro de secretários já estava bem definido, resolvi pleitear o trabalho do Mercosul, um assunto novo e que ficava distante do Parque dos Poderes. Já tinha assistido de camarote quando foi a Vice com o Dr. George e sentia que este cargo deveria ficar distante do centro político do Governo.

Ser o segundo é muito difícil. Principalmente pra mim, que tinha saído da Prefeitura de Dourados dois anos atrás com índices elevados de aprovação. E que Dourados esperava muito mais de seu representante.

Aproveitei da assessoria do meu amigo Walter Guaritá, que conhecia bem o Paraguai e era amigo do Presidente Wasmosi, a quem convidamos para vir assistir a nossa posse no dia 1 de janeiro. Foi o único presidente de outro país a participar de uma solenidade como aquela dentre todas as posses do Brasil.

Na primeira semana do governo já fizemos uma comitiva para Assunção, onde fomos muito bem recebidos e acertamos algumas ideias para compartilharmos como vizinhos.

Dentre outras, a participação do Porto de Concepcion como porto livre para Mato Grosso do Sul. Era uma maneira de diminuir o custo do transporte de grãos de nossa região e desenvolver aquela região guarani. A ideia foi lançada, mas, outra vez, foi deixada de lado.

Nossa região perdeu muito. Principalmente Ponta Porã. Como representante do Governo no Mercosul, tivemos outros alcances, como a discussão do gasoduto vindo da Bolívia e o embrião da Rota Bioceânica. Foi importante nesse projeto, além do presidente Wasmosi, o então prefeito de Iquique, Jorge Quiroga.

Anos mais tarde, quando voltei à prefeitura para o segundo mandato, Dourados e Iquique se tornaram” Cidades Irmãs”.

Hoje em dia mudaram aquela rota, pois interesses políticos deixaram de aproveitar a ponte existente em Concepcion, atravessando o rio Paraguai e a rota toda asfaltada até Mariscal Estigarribia.

Mudaram de Campo Grande, Dourados e Ponta Porã, para Campo Grande, Maracaju, Porto Murtinho. Estão construindo uma ponte com quase mil metros, fazendo 220 km de asfalto no Chaco Paraguai, chegando em Mariscal Estigarribia.

Foi bom para o Paraguai, pois irá desenvolver aquela região inóspita guarani. Mas lembro que tem um ditado antigo que diz: “Todos os caminhos levam a Roma”.

Nossa região é muito mais forte do que imaginam. Os grãos colhidos em nossa região, com certeza irão pelo projeto inicial. E hoje, no trecho entrando na Argentina, ainda falta boa vontade dos governantes daquele país para entender e facilitar a passagem, principalmente entre Pozo Hondo e Salta.

Mas, voltando à nossa participação na administração: em abril de 1995, Dr. Wilson me chamou para uma conversa e me informou que iria viajar para o exterior e que eu assumiria o Governo do Estado por algumas semanas. E eu, já desiludido com o tratamento recebido pelos assessores do Governo, perguntei aonde eu iria receber as pessoas, pois passados quase quatro meses da gestão ainda não tinha sequer uma sala para ocupar. Naquele dia falei para ele, que sempre me tratou muito bem, mas que me sentia um peixe fora d’água e que voltaria para Dourados, onde eu era muito bem recebido.

No outro dia arrumaram uma sala para o vice-governador.

Respondi pelo Governo do Estado por três semanas e comecei a entender o que era ser o segundo: é como ser vice.

*É engenheiro civil, foi prefeito de Dourados por 2 mandatos e vice-governador

sábado, 28 de março de 2026

A Desvantagem de ser o segundo

                                           A Desvantagem de ser o segundo


 Braz Melo*

“Nessa longa estrada da vida

Vou correndo e não posso parar

Na esperança de ser campeão

Alcançando o primeiro lugar”

                                                                Música de Milionário e Zé Rico

Ninguém luta para ser o segundo. Todos brigam para ser o primeiro.

No caso de Dourados, o segundo município em população do Estado, tem sofrido muito por este posto.

Lembro que quando da divisão do antigo Mato Grosso éramos bem tratados pela capital, Cuiabá. Penso que porque Campo Grande era o segundo. E só mais tarde entendemos o que é ser o segundo.

Naquela época, Dourados tinha pouco mais de 100 mil habitantes e Campo Grande mais de 250.000.

Hoje, Campo Grande tem quase 1 milhão e Dourados 250 mil habitantes.

Mostro neste artigo porque Dourados perdeu o pique que tinha antes da divisão do Estado.

Além de ser a capital do Estado, onde fica toda estrutura governamental, chama para lá as decisões maiores que são tomadas. Durante anos recebeu infraestrutura necessária para o bom funcionamento de uma cidade.

Imagina Campo Grande ficar uma semana sem aeroporto? Seria o caos. Nós ficamos quatro anos sem ele. Quando precisávamos de viajar, tínhamos de ir para Ponta Porã ou para a capital de MS. 

Dourados era o polo, atendendo na área de serviços todo o sul de nosso Estado. Quando uma pessoa de Bela Vista precisasse ser atendida por um especialista, ela vinha para cá. Hoje, vai direto para Campo Grande.

Vou dar o exemplo na área de logística, de como fomos prejudicados.

Quando o último governador de Mato Grosso uno, Garcia Neto, soube da divisão do Estado e veio fazer o lançamento do asfaltamento da rodovia que liga Dourados a Nova Casa Verde, passando por dentro da Colônia Federal, Ivinhema e Nova Andradina, rodovia importante para o comércio de Dourados, mandou iniciar a obra por Nova Casa Verde, fazendo que Nova Andradina, que já usava o horário de São Paulo, deixasse de usar os serviços de Dourados e fosse ser atendido em Presidente Prudente  (SP) ou Campo Grande.

Feita a divisão, foi nomeado o primeiro governador do novo Estado, Harry Amorim Costa, que não teve tempo de executar obras. Preparou administrativamente o estado.

Logo depois, em 1979, em consenso político, foi nomeado governador do Estado, o então prefeito de Campo Grande, Marcelo Miranda Soares. Ficou pouco tempo no cargo.

Em 1980 foi nomeado o senador Pedro Pedrossian para administrar nosso Estado. Pedro asfaltou de Mundo Novo a Ponta Porã, o Guaira Porã, iniciando as obras a partir de Mundo Novo. Iguatemi e toda a população fronteiriça que usavam os serviços dos douradenses, começaram a frequentar o oeste do Paraná.

Wilson Barbosa Martins foi eleito o primeiro governador do Mato Grosso do Sul em 1982. Executou diversas obras, entre outras, asfaltou  de Maracaju e Sidrolândia para Campo Grande. Obra importante para aquela região, só que mais uma vez subtraindo o movimento de Dourados. Os clientes de nossos médicos e profissionais liberais foram trocados pelos da capital.

Marcelo Miranda é eleito governador em 1986 e executou diversas obras, dentre estas, asfaltou Naviraí a Ivinhema. As pessoas que sempre usavam Dourados como polo de serviços, começaram a ter outro caminho desviando de Dourados.

Em 1990, é eleito novamente Pedro Pedrossian para governar o Estado. Ninguém pode negar a importância do que ele trabalhou pelo Estado, mas não tendo mais o que rodear nossa cidade, asfaltou Itaporã a Douradina. Os irmãos de Itaporã não precisam passar por Dourados pra ir para Campo Grande.

Toda essa logística é importante para o Estado, porém prejudicou muito o desenvolvimento de nossa cidade, já que desviando de Dourados diminuiu bastante nossa receita.

E Dourados, que chegou a receber em 1991 mais de 11% do ICMS (Imposto de Circulação de Mercadoria e Serviços) hoje recebe pouco mais de 6%. Quase a metade dessa importante receita.

Imagina se as rodovias tivessem sido direcionadas para Dourados? Não teríamos perdido tanto recurso, como aconteceu.

Mas este exemplo é só na área de logística. Depois conto mais.

  • É engenheiro civil e foi prefeito de Dourados por dois mandatos

terça-feira, 17 de março de 2026

Conheça a história do Teatro Municipal de Dourados

Conheça a história do Teatro Municipal de Dourados 

Braz Melo* 


O Teatro Municipal de Dourados, finalmente, está passando por uma reforma completa na gestão do prefeito Marçal Filho. Após muitos anos fechado, esse importante espaço cultural volta a ganhar vida, colocando novamente nossa cidade em destaque no cenário artístico e cultural.

Inaugurado em abril de 1998, poucos conhecem a história por trás da sua criação.

Tudo começou em 1991, durante minha primeira gestão, quando fui procurado pelo Wilson Bussios, acompanhado do empresário Domingos Bertoncello (responsável pela construção do Shopping de Maringá- PR) que demonstrou interesse em investir em Dourados.

Após diversas conversas e ideias, surgiu uma proposta inovadora: realizar uma licitação oferecendo um terreno na avenida Marcelino Pires, com a contrapartida da construção de um teatro para a cidade. 

Inicialmente, o teatro seria construído junto ao shopping e havia a exigência de que fosse entregue antes mesmo do início das atividades comerciais.

A empresa vencedora da licitação foi a Cobel, de Campo Grande. Assim, conseguimos viabilizar a construção do Teatro Municipal sem custos diretos para a Prefeitura.

Posteriormente, já na gestão do prefeito Humberto Teixeira, foi tomada a decisão de alterar o local da obra para o Parque dos Ipês, uma escolha bastante acertada.

A Cobel enfrentou dificuldades na execução do shopping, por não possuir experiência nesse tipo de empreendimento, o que acabou atrasando a conclusão das obras. Mais tarde, o projeto do shopping foi repassado à empresa Ingá, segunda colocada na licitação e idealizadora da proposta inicial. O shopping foi inaugurado apenas em 2006, durante a gestão do prefeito Laerte Tetila. Quinze anos após a ideia inicial.

Em 1997 retornei à Prefeitura e, no ano seguinte, em abril de 1998, o Teatro Municipal foi finalmente inaugurado. A cerimônia contou com a presença do então governador Wilson Barbosa Martins e do presidente do Paraguai, Juan Carlos Wasmosy. Na mesma ocasião, também foi inaugurada a Praça República do Paraguai.

A primeira apresentação no palco do novo teatro foi do artista douradense Emanuel Marinho, seguida pela Orquestra Sinfônica do Paraguai.

Você sabia dessa história?


O autor é engenheiro civil e foi prefeito de Dourados (1989 a 1992 e de 1997 a 2000


terça-feira, 20 de junho de 2017

Ao Mestre com respeito


 Braz Melo*


            Nascido na Fazenda São Pedro, pertencente na época a Campo Grande, Wilson Barbosa Martins faz questão de dizer que nasceu na Vacaria, hoje denominação de Rio Brilhante no dia 21 de Junho de 1917. Acredito que por sua influência cultural, levou aos poetas Jorge Antônio Siufi e Otávio Gonçalves Gomes a introduzir a sub-região de “Vacaria” no lindo hino de Mato Grosso do Sul ao invés de “Matas de Dourados”.

Wilson Martins completa nesta quarta-feira (21) 100 anos de vida. Mais da metade dedicada a política. A boa política.

Desde cedo foi estudar em São Paulo e frequentou a Escola Rio Branco e depois a Faculdade de Direito no Largo do São Francisco. Voltando pra Campo Grande se tornou um grande advogado, e apaixonado pelas causas publica ingressou na política. Saiu candidato pela UDN em 1950 e perdeu a eleição.  Não desanimou e logo virou Prefeito de Campo Grande, onde organizou a Prefeitura com obras voltadas para a comunidade e fez os primeiros concursos públicos.

Foi Deputado Federal e crítico à ditadura militar. Foi cassado, o que aceitou com resignação e firmeza.  Foi o Primeiro Presidente da OAB- MS e quando da redemocratização da política se filiou ao MDB e saiu candidato, ganhando a eleição em 1982, como primeiro governador eleito pelo povo de MS.

Fez uma administração exitosa e participou ativamente da campanha das Diretas. Foi nesta época que o conheci e a convite de seus companheiros tive a honra de participar desta campanha, quando entrei no PMDB. Com ele tive a oportunidade de conhecer muitas personalidades da política brasileira e recebe-las em nossa Dourados. Tancredo Neves, Teotônio Vilela, Mario Covas, Fernando Henrique Cardoso, Leonel Brizola, Orestes Quércia, Pedro Simon, Franco Montoro, Valdir Pires e Ulisses Guimarães, dentre outras.

Falando em Ulisses, me recordo que após ter feito sua campanha eleitoral para presidência, recebi o maior elogio que poderia ganhar. Ao encontrar com ele em Brasília e perguntando se ele lembrava-se de mim, ele disse “Como posso esquecer de um prefeito de uma cidade grande, que conhece seus eleitores pelo apelido”.
Em 1986, Wilson Martins renunciou seu mandato como governador e tornou-se Senador da Republica, e fez parte da Constituição Cidadã. Pelo seu conhecimento foi membro importante da Comissão de Constituição e Justiça e outras.

Passou pelo PSDB e em 1995 retornou ao PMDB a meu convite, quando voltou a ser Governador do MS e que tive a honra de ter sido escolhido seu vice, representando Dourados naquele pleito e aprendi muito com este homem sincero e culto.

Ficou encantado com a votação em Dourados. Falava que o melhor de toda a eleição foi a festa da nossa vitória. A Marcelino Pires, lotada e exultante
Ao me comunicar que se licenciaria para uma viagem ao exterior por vinte e poucos dias, e eu assumiria o governo, comuniquei-lhe que apesar de estar coordenando o MERCOSUL me sentia um peixe fora d’agua. Nem sala eu tinha. Nas cerimonias nem era citado. Considerava-me saudado “nas demais autoridades”. Foi uma conversa muito franca e ele insistia que eu não deveria voltar a disputar a eleição em Dourados, porem entendeu a minha aflição e descontentamento. Não com ele, mas com os que o cercavam.

Guardo muitos ensinamentos dele e um dos que me marcou foi “No fim dá tudo certo. Se ainda não deu certo, é porque não chegou ao fim’’
Ao completar 100 anos, a nossa admiração e respeito ao Grande Mestre, Doutor Wilson Barbosa Martins.

*Braz Melo  vereador, ex-prefeito de Dourados e ex-Vice Governador do Mato Grosso Do Sul.



quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Douradenses Adotados

Prosseguindo na minha caminhada pelas ruas douradenses de antigamente, ao dobrar a esquina do passado revejo pelo olhar das recordações o nosso antigo perímetro urbano, quando o paisagismo quase bucólico era formado por velhas casas de madeira. Saudosista, relembro das pessoas marcantes e logo surge na poeira do tempo o gaúcho Artidor Lima. Esquisito como seu nome, o sulino morava próximo da prefeitura, após ter vendido suas terras na colônia federal.

Trabalhista de ‘cruz na testa’, partidariamente admirava o presidente Getulio Vargas, João Goulart e Alberto Pasqualini, político da sua cidade de Canoas. Como brizolista de primeira hora, foi um dos fundadores do PDT. Na revolução de 1964, fez companhia para o ex-deputado federal João da Câmara, Dr. Harrison Figueiredo, Raphael Bianchi e outros militantes políticos do PTB recolhidos na cadeia velha da avenida central que leva o nome do caudilho de São Borja. Sua bela filha Alba Terezinha Lima, foi eleita miss Mato Grosso. Getulio Lima, outro de seus filhos, imortalizou a voz num famoso disco de vinil chamado “os melhores da música jovem matogrossense”.

Dentre esses inesquecíveis moradores urbanos que tivemos, também fez parte daquele cenário puro, o obeso Walter baiano. Conhecido vendedor de bilhetes da loteria federal, usava calças de linho branco cintura alta, com quatro dedos acima do umbigo. Sempre impecável na vestimenta, vaidoso e afável, circulava pela cidade com uma pasta debaixo do braço abarrotada de jogos da sorte, que oferecia a passantes. Sua parada referencial era uma loja de nome “a agrícola”, estabelecimento comercial de ferragens do Alberto Perdomo. Ás vezes, o nordestino simplório, rondava pela calçada dos “marreteiros” na frente do Bar Lucchesi em frente o cine ouro verde. Construiu sua residência de madeiras na Rua Rio Grande do Sul (atual Weimar G. Torres) e depois da sua morte lá funcionou o bar “bye bye Brasil”, uma chopperia com o som ao vivo, propriedade do violeiro Nildo Pacito.Recentemente esse antigo casarão, construído pelo carpinteiro Francisco Claro nos anos cinquenta, foi demolido.

Nessa pequena leva de gente antiga, o pioneiro Pedro tintureiro, um ex-jogador do operário, time de futebol que o deputado Londres Machado foi goleiro, lavava e passava ternos. Buscando e entregando as roupas no domicílio do freguês, estava sempre de bom humor. Sendo ouvinte da rádio clube de Dourados, ele sempre sabia dos últimos acontecimentos. Embora eu fosse locutor policial da emissora, um dia ele me surpreendeu contando que a dona Geni Milan, naquela tarde havia trocado uns socos com o médico Dr. Áureo Garcia Ribeiro, num desentendimento na formação da nova diretoria do clube social. Nessa ocasião, quase houve um tiroteio, porque essa temida senhora assassinada posteriormente no bar bambu local, sempre portava seu revólver municiado, geralmente na bolsa. Mas, passado o desentendimento entre os sócios de ânimos exaltados, o jovem Walter Brandão da Silva, foi eleito presidente por aclamação e as duas chapas concorrentes fizeram as pazes realizando um grande baile.

Entre esses pioneiros honestos aqui residentes daquela época, figuram milhares de anônimos trabalhadores entre os forasteiros aportados em Dourados para viver e morrer. Eles eram homens e mulheres idealistas, que foram embora levando as passagens boas do século vinte. Formados na universidade da vida, não sufragavam votos em aventureiros analfabetos, com discurso suspeito de apologia a pobreza. Diferente, no sistema de se inteirar a respeito do processo eleitoral, os candidatos a prefeito e vereadores eram analisados pelas suas condutas passadas e presentes, entre os eleitores do passado. Não existia voto comprado e analfabetos possuíam o acomedimento de se manterem calados, nunca se candidatando na escolha. Votar em alguém, somente pelo fato de ser um candidato evangélico, estava fora de qualquer cogitação. Assim, em memória deles, chega de trapaças Sr. Ari Valdecir Artuzi, e, por favor... renuncie seu mandato se lhe resta um pingo de vergonha na cara!





Isaac Duarte de Barros Junior*
*advogado criminalista, jornalista.
e-mail: isane_isane@hotmail.com

sábado, 10 de julho de 2010

O LIBANÊS IZZAT BUSSUAN

Isaac Duarte de Barros Junior*
O poeta Kahlil Gibran, nascido em 1883, dizia que “trabalho é o amor tornado visível”. E sem dúvida o seu conterrâneo, um emigrante de nome Izzat Bussuan, era daqueles homens árabes labutadores que amou ser comerciante e se condoia ao ver o sofrimento dos necessitados. Esse douradense adotado na metade do século vinte nasceu em 1908 na cidade de Sagbine no Líbano, concluindo seus estudos do curso secundário em 1928. Depois disso, já como professor, lecionou inglês e matemática no Colégio do Sagrado Coração de Jesus em Beirute. Em 1930, morando na Palestina, trabalhou alguns anos numa companhia de importação e exportação. Emigrando para o Brasil, em 1935 foi viver na pequena cidade matogrossense de Porto Murtinho, onde começou a trabalhar como comerciante de tecidos e armarinhos. No ano de 1942, casou-se em Aquidauana com a jovem Afife Maksoud e finalmente veio residir em Dourados em 1953. Nasceram desse matrimonio o médico Luiz Antonio M. Bussuan e o arquiteto William Geraldo M. Bussuan.
Vivendo quarenta e nove anos nas terras brasileiras, destes, trinta e um Izzat Bussuan dedicou ao social em Dourados. Desportista entusiasta participou da fundação do Operário Esporte Clube, agremiação futebolística que presidiu por duas vezes. Em 1955, foi membro fundador do Asilo de Velhos, construindo no cargo de presidente, o primeiro pavilhão destinado a abrigar aos dez anciões inaugurantes. Nesse mesmo ano, foi eleito presidente da Associação Comercial douradense, cargo para o qual se reelegeu três vezes consecutivamente. Na ocasião, Izzat Bussuan formou uma comissão, que bem organizada, esteve no Rio de Janeiro reivindicando, conseguindo meritoriamente com a ajuda daqueles entusiastas comerciantes desse período, a abertura de uma Agencia do Banco do Brasil na cidade em fase de crescimento.
Sendo um dos fundadores da Loja Maçônica Antonio João, durante uma gestão a presidiu. Em 1956, estava entre os fundadores do Lions Clube douradense, clube que foi presidente seis vezes, além de ser eleito vice-governador leonistico distrital. Sob sua presidência, realizaram-se diversas reuniões congregando altas Autoridades federais, estaduais e municipais, objetivando nelas debater e solucionar problemas do desenvolvimento na região da grande Dourados. Ainda presidindo esse prestigioso clube internacional de serviços, na sua gestão foi fundada a Casa da Criança Desamparada e a atual Escola “Weimar Torres”.
Onde hoje está localizada a Praça “Prefeito Ruy Gomes”, no primeiro residencial de casas populares douradense, esse bom samaritano, liderou uma campanha beneficente que culminou com a instalação de um parque infantil no local. E mesmo podendo ter a nacionalidade brasileira, nunca se interessou em requerê-la, embora houvesse vivido a maior parte de sua existência no Brasil. Gostava de falar o árabe diariamente, jamais perdendo seu carregado sotaque das origens. Lembro-me, dentre as muitas recordações da infância, que o comerciante Izzat Bussuan em se tratando de falar do sábado, costumava expressar esse dia da semana, referindo-se a ele como sabádo. “Seu” Izzat tinha uma aparência tranqüila e costumava vestir-se elegantemente no cotidiano, possuindo como pessoa afável, o respeito carinhoso dos seus compatriotas desta cidade e região.
Nessa trajetória de pessoa ativa, bastante preocupada com os pobres carentes, Izzat Bussuan destacava-se, recebendo em função disso, diversas condecorações. Em 1980, foi agraciado pela Câmara Municipal com o titulo de “Cidadão Douradense”, honraria que lhe emocionou. Finalmente, por ser um cidadão benemérito, com inestimáveis serviços prestados a comunidade local, quando faleceu em Campo Grande em 1984, foi decretado luto oficial no município de Dourados por iniciativa do prefeito da época. E seu nome, como o de outros pioneiros, através de lei municipal, foi imortalizado em uma das muitas ruas douradenses.


*advogado criminalista, jornalista.
e-mail: isane_isane@hotmail.com

domingo, 27 de junho de 2010

COPA DE 70

Isaac Duarte de Barros Junior*
Na copa de 1970, a direção da Radio Clube de Dourados, resolveu retransmitir os jogos de futebol daquela copa do mundo realizada no México. Nessa época, sem ter a concorrência da televisão, o radialista Jorge Antonio Salomão, mandou seu funcionário Ermelindo Azevedo, o “pipoca”, instalar um serviço de alto falante na Praça Antonio João, o que foi feito. Assim, na era do rádio, os torcedores douradenses, puderam acompanhar pela única emissora existente na região, com retransmissões da rádio Tupi, o excelente desempenho da seleção canarinho. A rapaziada aproveitava a ocasião festiva para namorar na praça, onde ouviam as ondas sonoras da Rádio Clube. Vestidos elegantemente, os jovens Paulo Kamimoto, Miro Faker, José Paulo Teixeira, Omenélio Bueno e outros atletas do futebol local, eram muito assediados pelas moças.
No verde gramado bem cuidado, naqueles dias foi permitido concentrar, pisar, sentar e torcer pela seleção brasileira, para alegria dos vendedores ambulantes. O velho guarda do “jardim”, nome como era chamada a antiga praça central, recebeu ordens da municipalidade de a tudo isso permitir, durante a retransmissão dos jogos do Brasil. Todavia, educadamente, ninguém entre aqueles torcedores, jogava lixo fora dos latões recipientes, se embriagava ou consumia drogas. Nem havia seguranças, policiais civis e militares para vigiar a moçada, pois a pequena população era pacata e a violência urbana, se existia, era longe, nos distantes grandes centros. De bicicletas, sem ficarem acorrentadas, os moços se dirigiam para esse ponto de concentração no horário do jogo de futebol. Terminada a partida futebolística, todos retornavam para suas casas, que não eram rompidas por ladrões. E mesmo fazendo o trajeto a pé, nunca houve notícia de acontecer um pedestre sendo assaltado naqueles tempos.
A garotada, proibida de soltar os fogos, se contentava com as chamadas “bombinhas”, cujo tamanho do artefato, dependia da idade, para delas fazerem uso nesses folguedos. Afinal, havia um ponto de charretes nas proximidades e o estampido poderia espantar os animais, pangarés das carroças de aluguel estacionadas no outro quarteirão, na Rua Minas Gerais (atual João Candido Câmara). A casa Yonekura, onde se comprava os “foguetes”, só vendiam fogos recomendando cuidados para que estes não fossem soltos próximos de matagais, iniciando incêndios nos capinzais “barba de bode”, comuns por toda a cidade, onde predominavam casas de madeira na maioria das erguidas. Os rádios portáteis de pilha faziam sucesso e os de bateria com antenas enormes, começava a se expandir na zona rural, nas casas dos colonos. E foi através deles, que os brasileiros moradores no campo, acompanharam os jogos da copa naquele distante ano de 1970, ouvindo os gols feitos por Pelé e seus companheiros.
Quarenta anos depois, a cidade de Dourados mudou radicalmente, não sei dizer se foi para pior, ou melhor. Pois, a Praça Antonio João, nesta atual copa mundial, está fechada. Saindo de casa a noite, corremos o risco de assaltos e no retorno ao lar de se ter os objetos do interior da residência, furtados. Ao invés de usarem fogos de artifício, irresponsáveis disparam armas de grosso calibre pelas ruas. Pessoas, embriagadas, dirigindo veículos, depois das partidas futebolísticas, transitam em alta velocidade, estupidamente gritando pela cidade, atropelando as pessoas. O som que se ouve, é em decibéis próprios para os ouvidos dos imbecis e de surdos. Atletas namorando nas calçadas, nem mais pensar. E moças daquela época, agora são vovós preocupadas com netas que ainda não retornaram, porque foram pós-transmissões da televisão, assistir as barulhentas perigosas passeatas...

*advogado criminalista, jornalista.
e-mail: isane_isane@hotmail.com

sexta-feira, 18 de junho de 2010

NORDESTINOS PIONEIROS

Isaac Duarte de Barros Junior *
Quando os trabalhadores nordestinos pioneiros, incentivados pelo governo federal, principiaram a desembarcar nas matas da colônia de Dourados na metade dos anos quarenta, iniciava-se na era Vargas o ciclo da chegada dos futuros povoadores mais importantes dessa vasta região. Graças aos fortes primeiros nordestinos, retirantes esperançosos das cálidas terras brasileiras, em breve fundar-se-ia novos municípios, incorporando-os mais tarde ao mapa geográfico de Mato Grosso. Todavia, no período de desbravamento do cone sul, esses agricultores chegavam cabisbaixos, trôpegos e com os corpos cansados devido á percalços da viagem. Geralmente, essa jornada migratória era esquematizada no vizinho estado de São Paulo, concluindo a sua ultima pior etapa, na desconfortável carroceria de velhos caminhões fretados ou na “jardineira” do Adão Loureiro (atual Expresso Queiróz). Na época, essa hoje sólida empresa sul-matogrossense, tinha apenas um ônibus revestido de tábuas, com seu dono no volante, outro legendário nordestino.
Entretanto, nesses velhos idos, os trabalhadores apelidados de “cabeças chatas”, quando procedentes do Porto XV usavam os caminhões “pau de arara”, que certamente os conduziria aos solavancos pelos ermos estradões de terra, pois o asfalto nem se cogitava. Desse modo, só sendo passageiros procedentes de Campo Grande, então a rota da chegada pelos trilhos da Noroeste do Brasil, que esses nordestinos se deslocariam usando a “jardineira do Loureiro”, para concluir o difícil trajeto. Aproximando-se dos seus assentamentos na CAND, seguindo caminhos diferentes dos atuais, os nordestinos precursores, normalmente, também usavam pequenas carroças e charretes alugadas.
Essa tração animal ou as charretes de aluguel, como meio trivial urbano de locomoção, durante anos foram conduzidas pelos saudosos irmãos Libório entre outros inesquecíveis charreteiros, guiando-as na boléia. Servindo de primeiros “táxis” douradenses, os “charreteiros” atendiam solicitamente a telefonemas, funcionando como uma oferta antiquada de trabalho honrado. Estacionadas nos “pontos” instalados nas esquinas do centro douradense, essas charretes de aluguel, foram bastante usadas nas ruas lamacentas do século passado em dias de chuva torrencial. Mas, nos tempos de modernos coletivos, acabaram sendo ultrapassadas pelo progresso, desaparecendo de circulação nos anos oitenta. O primeiro e ultimo “ponto” de charretes, funcionou na Avenida Presidente Vargas, na confluência da Avenida Marcelino Pires.

A zona rural douradense, geograficamente destinada a CAND, na divisão original feita no município de Dourados, seria influenciada politicamente pelos nordestinos, quebrando o tradicional rodízio dos sulinos gaúchos e mineiros das alterosas no comando do Paço Municipal. O prefeito Antonio de Carvalho, nos anos quarenta, foi o primeiro desses nordestinos eleitos, embora fizesse oposição ao governo de Getulio Vargas. Seguindo-se a este alcaide, outros prefeitos douradenses figuram como políticos nordestinos de nascimento. Embora os migrantes gaúchos, tenham chegado no final do século dezenove em Dourados, os sulistas tornando-se fazendeiros, decidiram cuidar da economia e do desenvolvimento privado. Quanto aos “redutos” de nordestinos politizados, ao conseguirem ser desmembrados, ficando independentes do município de Dourados, logo surgiriam como municípios prósperos, assumindo seus dirigentes as rédeas da política estadual, através de seus descendentes e migrantes brasileiros adotados pelas suas respectivas cidades.
Sabedores da necessidade cultural para dirigir, os nordestinos lutaram pela implantação de universidades, ou enviaram seus filhos para completar os estudos em grandes centros. O interessante nessas comunidades exemplares, é que eles não se deixaram hipnotizar e nem permitiram que a desgraça tomasse forma de mando, outorgando a chefia de qualquer coisa para despreparados semi-alfabetizados. Essa cartada, usada num sábio jogo de cintura, evitou-lhes ter de passar pela execração hilária a que estão sendo submetidos alguns municípios conhecidos nas suas vizinhanças. Anátema de problemas, que se não fosse uma praga em forma do retrocesso, poderia ser contabilizado como mais um prejuízo temporário causado por eleitores desorientados...

*advogado criminalista, jornalista.
e-mail: isane_isane@hotmail.com

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Está difícil de empolgar

Braz Melo (*)

Há tempos acompanho futebol, mas confesso que há muito tempo não vejo o brasileiro tão desinteressado pela Copa do Mundo como nesta edição. Não sei se é por causa da qualidade dos jogadores convocados ou se entramos em uma nova realidade e que a população está mesmo preocupada é com outras coisas mais importantes.
Desde quando o Dunga deixou de convocar os meninos do Santos Futebol Clube, Neymar e Ganso, parece que toda a população desanimou de torcer. Sabemos que o brasileiro, além de ganhar a Copa do Mundo, ele quer ganhar dando show e mostrando um futebol alegre. Isso vai ser difícil com uma quantidade imensa de volantes (posição de meio de campo que mais defende do que ataca) e sem meias que sabem armar e deixarem os atacantes marcarem os gols.
Eu lembro que ainda garoto assisti a minha primeira Copa, a de 1958. Ainda era apreciado só pelo radio, mas foi uma competição especial. Como só ouvíamos, imaginávamos pela narração dos locutores como tinha sido a jogada. Morava no Rio de Janeiro e mais bonito que a apresentação da seleção na Suécia, só a chegada dos jogadores. Ficamos umas oito horas em pé, aguardando a seleção passar em cima do carro do Corpo de Bombeiros, pois iam ser saudados pelo presidente Juscelino no Catete. Um mar de gente. Quando menos esperávamos, passou. Vimos só de relance, mas valeu a pena.
A de 1962 no Chile foi outro espetáculo. Estudava no ginásio (hoje segundo grau) e juntos com alguns amigos fomos até ao Hotel das Paineiras, perto do Corcovado ver os jogadores se preparando antes de embarcar. E como os funcionários do bondinho estavam em greve, subimos a pé pela linha dos trilhos. Uma maratona para ver Pelé, Garrincha, Didi, Zagalo e outros. Pelé se machucou, mas o Brasil voltou bicampeão.
Lembro como hoje a de 1970. Talvez por ter sido transmitido pela televisão ficava mais fácil de continuar gravada na mente. Até os mexicanos, na partida final, torciam pela nossa equipe. Tínhamos um time fora do comum e jogávamos para frente, como a musica cantada na época: “Pra frente Brasil”. Salve a Seleção. Seleção com letra maiúscula, sim senhor.
Ficamos em jejum muitos anos, mas fomos campeões em 1994 nos Estados Unidos e por fim em 2002 na Alemanha. Times guerreiros, mas principalmente com um futebol alegre, deixando inclusive os que perderam maravilhados com nosso futebol. Nem eles reclamaram, já que reconheciam nossa superioridade. Hoje se fizessem uma musica para esta Copa seria “Segura Brasil”.
Todo mundo sabia a escalação da seleção de cor e salteado. Hoje quem sabe a escalação do nosso time? Só os que trabalham com futebol.
Nestes últimos dias temos assistido os comentaristas de diversos canais de televisão, já na África do Sul, contando tudo que acontece lá. As grandes redes têm se preparados para dar uma apresentação melhor aos seus telespectadores. Investiram um dinheirão para oferecer o melhor para nós que ficamos aqui. Hoje mesmo vi os efeitos das câmeras especiais, onde mostram os lances de diversas maneiras. E em câmera lenta. Coitados dos árbitros. Vai ser uma oportunidade para os técnicos de futebol, e somos 190 milhões deles, para botarmos a boca no trombone.
E esta Copa é uma preparação para a próxima, que será aqui no Brasil. Temos muito que aprender, mas primeiro temos de saber escolher nossos jogadores. Por falar em escolher, está difícil achar um suplente para o Murilo em Campo Grande, como também um vice para o Zeca aqui em Dourados. A política deste ano está igual a nossa seleção. Difícil de empolgar.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

LENHEIROS E CARPINTEIROS

Isaac Duarte de Barros Junior*
Extraindo árvores nativas selecionadas, os antigos madeireiros apelidados popularmente de mateiros, foram uma das especialidades em carpina. Encarregados do fornecimento da matéria prima destinada as primeiras casas construídas nos povoamentos, eles entravam nas matas densas e lá escolhiam a árvore que deveriam serrar. Talhadas manualmente, esse ritual pioneiro exigia um enorme conhecimento profissional sobre qual o tipo de corte que deveria ser utilizado na madeira. Desse modo antiquado, aqueles carpinteiros arcaicamente se valiam de métodos artesanais, fosse fabricando tábuas ou sepilhando os demais madeiramentos. Dependendo da região, o conhecimento a respeito da diversidade das árvores escolhidas, era uma qualidade muito importante para contratar-se um mateiro. As tabuas tinham que ser serradas, rigorosamente dentro das medidas, demonstrando outro dos grandes atributos desses profissionais. Quanto aos “rudimentares” machados, invés da “moderna” lamina manual de serrar troncos, se utilizados nessas ocasiões, só eram usados durante a derrubada da árvore.
Entretanto, havia um grande diferencial comparativo, entre aquilo que significaram os trabalhadores mateiros carpinteiros e lenheiros comuns. Afinal, os primeiros, se religiosamente professavam o catolicismo, eram devotos de São José. Enquanto que os lenhadores, chamados de derrubadores de árvores, foram fiéis ao cristão Santo Antão, um pregador egípcio do século lll. Carpinteiros, nessa época, considerados marceneiros das construções de madeira, satirizavam a falta de conhecimentos dos lenheiros. Assim acontecendo, os alcunharam de “antas”, numa clara alusão as suas ignorâncias em aritmética. Naqueles idos, a lenha sendo barata, não passava de material para consumo, queimada nos fogões das residências, trens, barcos e olarias.
Todavia, novas cidades brasileiras, enchiam de dinheiro os bolsos dos carpinteiros, com casas de madeira erguidas diariamente. Pinheirais da região sul, devido ao seu uso em tudo que se levantava, tiveram araucárias quase dizimadas. Enquanto que no centro-oeste, muita madeira de lei desapareceu da vegetação. O desmatamento, desse período, iniciaria o efeito estufa, sem que nenhuma precaução fosse tomada pela população brasileira crescendo descontrolada. Governantes, já que a grande preocupação era ocupar as terras desabitadas no interior e nas fronteiras, pouca ou quase nenhuma cautela tiveram com a biodiversidade, programando as migrações e facilitando as imigrações pela via marítima, gente que depois devastou mananciais e florestas virgens inteiras.
Mas, se os madeireiros carpinteiros eram profissionais privilegiados desempenhando essas suas funções construtoras, o mesmo não aconteceu com os lenheiros ou lenhadores. Os quais, profissionalmente, eram tratados como simples vendedores comuns de um produto abundante. Ademais, cortar as madeiras e vende-las em forma de lenha, comercialmente só existiu nas cidades, isso até a chegada dos fogões a gás. Adolfo Knopka, descendente de poloneses foi um dos últimos lenheiros tradicionais que conheci. Diziam que no começo das suas atividades, ele tinha um carroção de quatro rodas e dois cavalos zainos fogosos, puxando-o para fazer suas vendas de lenha nas residências.
Já Barnabé Minhos, um dos primeiros migrantes gaúchos nesta região, nela exerceu a profissão de carpinteiro, trabalhando durante anos em Dourados no começo do século vinte. Barnabé, espelhando-se nos seus colegas de profissão contemporâneos, era um artesão das madeiras, fazendo engenhosas máquinas de moer cana-de-açúcar, construções de madeira, coxos para alimentar o gado e mujolos d’água ”socadores” de mantimentos em grãos. Suas qualidades eram tão reconhecidas nessa época, dada a qualidade dos seus serviços, e em muitas propriedades rurais centenárias, que suas obras de carpintaria ainda permanecem bem conservadas.
Por outro lado, Pedro “paraguaio”, de compleição física avantajada, era homem demorado nos seus serviços devido aos intervalos para tomar tereré e tirar a “siesta” do almoço. Tinha como os demais carpinteiros naqueles primeiros tempos, sua freguesia e muito trabalho. Porém, esses homens, salvaguardadas as diferenças no tratamento comercial dado, foram pessoas interessantes como habitantes do século passado.

*advogado criminalista, jornalista.
e-mail: isane_isane@hotmail.com

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Pedido ao Ramão

Braz Melo (*)


Aproveitando a partida de outro amigo e assistindo a homenagem que seus irmãos e amigos fizeram no seu velório, fiquei imaginando como seria a chegada do Ramão Perez no Céu, onde tenho certeza, ele já está. Homem ponderado e firme, pai de família exemplar, companheiro leal, amigo das horas difíceis e temente a Deus, não tem outro lugar para ser o seu descanso final.
Na semana passada, ao visitá-lo na UTI do Hospital Evangélico após vê-lo pelo vidro e ele me reconhecer, fiquei emocionado e esperançoso, acreditando que iríamos ainda tomar muito mate e batermos papo juntos. Logo depois chegou o médico que o tratava e jogou uma água fria em nossa esperança, informando que o seu caso era grave. Seu coração já estava fraco.
A homenagem feita pela maçonaria aos irmãos que morrem é muito emocionante. Mesmo aqueles que já a conhecem, normalmente se desmancham em choro. E não foi diferente desta vez.
Enquanto faziam a chamada nominal dos irmãos, fiquei olhando para seu semblante que parecia estar dormindo e sonhando com as coisas boas que a partir de agora vai desfrutar e meio gozando de nós que aqui ficamos, como quem diz: “azar de vocês que ficam aqui”.
Pedi, no pensamento, que logo ao chegar, depois dos tramites legais que acredito serem breves, pois lá já terá sua ficha limpa feita, preparada por um grande computador e conferido por Deus, dê um abraço no Harrison de Figueiredo. Não conte pra ele como está nossa cidade, pois tenho certeza que se contar tudo ele vai ficar muito bravo e querer quebrar um paradigma, que é voltar para cá.
O amigo Orcírio Pedroso vai querer saber se os meninos estavam cuidando bem da chácara. Dona Loca chegada à pouco, irá querer saber das ultimas.
Vai dar de cara com o companheiro antigo Cícero Irajá Kurtz, que saindo daqui a tempos, faleceu no Rio Grande e tinha tempo que não o via.
Fale pro Vivaldi, que dele você adquiriu o Contábil Júpiter, que do jeito que ele deixou, continua talvez um pouquinho pior. E pra ele continuar orando para que melhore aqui embaixo.
Sem duvidas, o Ivo com aquele sorriso largo, deseja saber das ultimas de nossa cidade e região. Vá devagar, pois ele aqui sofria de pressão alta e não podia se aborrecer.
Não sei se vai encontrar com o Brizola, mas se o fizer veja se aparou a sobrancelha revolta.
O Dr. Ulisses Guimarães, que ninguém encontrou seu corpo por aqui, sem duvidas você encontrará seu espírito por lá.
Encontrando o Tancredo Neves, diga para ele que o neto fez uma bela administração em Minas, mas que vai esperar mais um pouco para tentar ocupar o seu lugar e subir a rampa do Palácio do Planalto.
Diga, para aqueles que querem saber das ultimas a nível nacional, que algumas pesquisas informam que a Dilma passou o Serra. E o Lula depois de achar que resolveu os problemas do Brasil, está querendo resolver o problema do Irã, do outro lado do mundo. Tudo que ele bota a mão vira ouro. Não sei até quando.

terça-feira, 18 de maio de 2010

FUNERAL DE UM FIDALGO

Isaac Duarte de Barros Junior*
O douradense Ramão Pérez, homem circunspecto, partiu no começo desta semana. Passavam poucos minutos da meia noite deste ultimo domingo, quando o descendente de um imigrante da província Pontevedra espanhola, exalou o seu ultimo suspiro, esconso dos olhares curiosos. Atendendo ao chamado de nandejára, ainda atordoado pelos fortes medicamentos, levantou-se do seu leito hospitalar, pegou nas mãos de Cesário Perez, seu pai ibérico, indo ao encontro dos parentes desencarnados. Vendo-o repousar sereno, me recordei no lutuoso ambiente, que antes do maçon “espanhol” adoecer, havíamos conversado muito a respeito da estátua do ervateiro, arrancada pela força ignorante da avenida central.
Ramão Pérez, ex-vereador e advogado mais velho na idade aqui residente, indignado, cava-pitã da vida como diriam os paraguaios, protestava em desfavor municipalidade. Afinal, os inconsiderados mineiros carregadores desses pesados raídos, andavam descalços com os fardos nas costas aproximadamente três mil passos. Suavam muito, contavam, antes de entregá-los nos cargadeiros e voltarem no mesmo dia, fazendo o juruacuá, nome dado ao segundo corte. Contador de profissão e de causos antigos, o “espanhol” comentou que o gesto antipático municipal cometido na retirada da estátua do ervateiro, assemelhava-se com uma bofetada desfechada na face da população e uma agressão gratuita a história regional.
No transcorrer daquele funeral, dia metereologicamente chuvoso, diversas personalidades douradenses foram se despedir do marcante político ambientalista. Nessas exéquias concorridas, seu colega José Marques Luiz, rigoroso como sempre, mostrava-se preocupado com o futuro do nosso ecossistema. Enquanto isso, os ex-prefeitos Bráz Melo e Laerte Tetila, falavam de suas respectivas administrações, tempo em que não havia barnabés loucos na prefeitura e atos costumeiros de loucuras. Mas, falar a respeito da estátua desalojada do peão ervateiro era assunto unanime, no funeral. Entre as opiniões dos presentes, um lembrou-se que os ervateiros abriram milhares de quilômetros de tapês, favorecendo os caminhos daqueles que vieram depois. Entretanto, ninguém sabia dar uma resposta verossímil, do porque a estátua desse guapo transportador da erva mate, foi derrubada do trono das homenagens, de forma tão truculenta. Concluíram então, que o autor do desmando, se fosse um parvo lotado no gabinete municipal, esse funcionário imbecil nada deveria conhecer da história local e do pioneirismo desses ervateiros no Mato Grosso do Sul.

Todavia, o ex-professor técnico contábil no Ginásio Osvaldo Cruz do professor Lins, que havia sido na juventude, gerente de uma loja de tecidos em Catalão, fundador do partido trabalhista em Dourados, estava infelizmente morto. Contrariando ibericamente, meus prognósticos de futuras melhoras, o “espanhol” permanecia frio e pálido no centro da sala, na teimosa rigidez cadavérica. E se espiritualmente ainda ouvia alguma coisa, esse veterano já nada mais falava. O venerável maçon participativo, que ao lado de Harrisson Figueiredo, com outros companheiros históricos, ingressou no brizolismo na primeira hora, dirigiu um PDT sem oportunistas. Entretanto, na madrugada de segunda feira, resolveu mudar-se para a eternidade e viver novamente na companhia dos avós maternos Izidro Pedroso e Benedita, da sua mãe Agina, de seus tios falecidos, incluindo os Mariano desencarnados do Durval. Ramão Pérez, um fidalgo da boa cepa, sequer teve tempo hábil no hospital, de se despedir da esposa Durvalina, a sua “Rosinha”, e das cinco exemplares filhas que se orgulhava.
De recordações extraídas do baú, parentes desse morto ilustre, lembravam que o Ramão foi cabo eleitoral do candidato a vereador Dr. Weimar G. Torres, advogado e jornalista, pontaporanense filho de uma paraguaia da cidade de Pedro Juan, com quem o “espanhol” se identificou castelhanamente. Recordei contando algumas passagens esquecidas, que o Ramão Pérez me apelidou de “paraguaio tacuapi (taquara fina)”, por ser um garoto magro demais. Isto tudo acontecendo, justamente na época em que ele aprendia um pouco do idioma guarani com meu pai. Rebatendo a alcunha como era chamado, o apelidei de “espanhol”. Este, na sua campanha para deputado federal, acabou suplente pela diferença de quinhentos votos. Depois, ambos saímos candidatos pelo PDT a prefeito de Dourados, eleição ganha pelo Luiz Antonio Gonçalves. Tempos idos, nos candidatamos a deputado estadual, num PDT em formação. E quando me afastei da militância político partidária, o Ramão me inteirava do crescimento pedetista na cidade e no estado.
Agora, seu escritório de contabilidade, freqüentado pelas famílias pioneiras, certamente seguirá gerenciado pela sua filha, a advogada Thaís. Quanto às piadas sobre os políticos, causos do século passado contados chistosamente, vou lembrar sempre que recordar desse “espanhol” nascido há setenta e sete anos na Cabeceira Alegre do Getulio Benevides, bem perto de uma ponta da mata verde que a civilização destruiu...

*advogado criminalista, jornalista.
e-mail: isane_isane@hotmail.com

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Quando a mentira acaba virando verdade

Braz Melo (*)

Tenho visto muita lorota fazerem algumas pessoas serem execradas da sociedade e só mais tarde a historia se redimir daquilo que inventaram deles.
Foi assim com Juscelino Kubitcheck, que diziam que era poderoso, pois tendo sido Prefeito de Belo Horizonte, Governador do Estado de Minas Gerais, Presidente da Republica e Senador muitos acreditavam que era um homem riquíssimo. Ledo engano, pois ao morrer deixou poucos bens materiais para a sua família.
Outro que ouvíamos que era abastado foi o ex-ministro Mario Andreaza. Sendo homem de confiança do governo militar e que através de sua batuta construiu-se grandes obras pelo Brasil inteiro, muitos achavam que ele se aproveitava de sua força para proveito próprio. Ao morrer, a imprensa noticiou que seus familiares receberam dos amigos ajuda financeira para que fosse realizado seu funeral.
Contam a mesma coisa de Rui Barbosa e tantos outros que tiveram projeção principalmente na política e que a historia só mais tarde conseguiu ser verdadeira com os seus descendentes.
Lembra do caso do Ministro Alcenir Guerra? Inventaram tantas coisas dele, mas que com bravura, conseguiu provar o contrário e dar a volta por cima.
O Presidente da Câmara dos Deputados Ibsen Pinheiro foi cassado, ficou no ostracismo um período. Voltou a ser candidato e obteve a maior votação da historia do Rio Grande do Sul.
Uns conseguiram recuperar sua idoneidade em vida, mas a grande maioria só teve esse reconhecimento após a morte.
Isso tem acontecido não só na política, mas também no nosso dia a dia. Quantos já ouviram o cochichar de pessoas sobre a melhoria financeira do vizinho? Onde tem mais de três pessoas, tem pelo menos um pensando mal do outro. Vejo isso dentro de qualquer comunidade, seja política, esportiva e até dentro das igrejas existe a desconfiança dos comandados aos mandatários.
Nenhum mandatário pode comprar um carro novo sem que alguns comandados questionem o porquê e como o chefe conseguiu adquirir aquele bem. Isso acontece até dentro da família, onde um irmão sente inveja ou despeito de outro. Infelizmente é a verdade. E isso vem desde Abel e Caim.
No futebol, ouço sempre quando um jogador é negociado, que o dirigente foi o que mais ganhou nesta transação. Será que isso é o normal? Ontem mesmo, na convocação da seleção brasileira de futebol pelo Dunga, houve diversos comentários que fulano de tal só foi convocado pelo interesse deste. Que o outro não foi chamado porque beltrano não tinha interesse. Na época de Copa do Mundo, faltando 30 dias para o inicio desta competição, esse assunto é palpitante e inspirador. O que no inicio, era só palpite passa a ter crédito. E a mentira acaba virando verdade.
Normalmente, a população confunde aquele que tem o poder de solucionar e resolver situações de uma família, agremiação, cidade ou estado com aquele que quer resolver estas pendências pensando em beneficiar-se.
Temos de evitar esse conceito. Procurarmos nos policiarmos mais, para que não acreditemos em tudo que ficamos sabendo. O diabo está aí solto e querendo a desgraça de todos nós. E ele nos quer confundir, criando discórdia entre os filhos de Deus.
Por isso é bem atual aquele ditado antigo: ”Nem tudo que reluz é ouro, nem tudo que balança cai”.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

DIA 5 DE MAIO

José Tibiriçá Martins Ferreira (*)
Hoje 5 de maio é comemorado o Dia Nacional das Comunicações, cuja data é uma homenagem ao nascimento em 1865 do Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, Patrono das Comunicações do Brasil. Quando se fala em Comunicação, à primeira vista, lembra-se da Telefonia Em 09 de novembro de 1972, foi constituída a Telecomunicações Brasileiras S/A, uma sociedade anônima aberta de economia mista através da autorização inscrita na Lei no 5.792, de 11 de julho de 1972, vinculada ao Ministério das Comunicações.
Até os anos 50, as Concessões dos Serviços de Telecomunicações eram distribuídas, indistintamente pelos governos Federal, Estaduais e Municipais e segundo dados do governo, existia uma expansão de forma desordenada e no final da década de 60 e início de 70, existiam aproximadamente 1000 companhias telefônicas com grandes dificuldades operacionais e de interligação.
A Telebrás nasceu com a atribuição de planejar, implantar e operar o Sistema Nacional de Telecomunicações e implantou em cada Estado brasileiro uma empresa-polo e incorporou as companhias telefônicas existentes, adquirindo seus acervos e seus controles acionários.
Foi durante o Regime Militar que o sistema mais evoluiu, pois era interesse fazer a integração do País. Lembro-me que quando ingressei na Telemat em 18 de agosto de 1976 em Campo Grande, existia somente linha física em nosso Estado. Transferido para Dourados em 13/03/78, quando acontecia uma ventania na região, os técnicos de rede Reginaldo Moreti. Seo Lima, José Elias Queiroz, os mais antigos nessa área, pegavam o jipinho amarelo, munidos de facão, foice, pois tinham que muitas vezes entrar no mato com escada nas costas e localizar os fios arrebentados, fazer a conexão e restabelecer a comunicação. As emissoras de rádio faziam a conexão através de LP´s conectadas pelos seus técnicos. Havia um sistema de trabalho praticamente de 24 horas, de segunda a segunda, inclusive nos feriados. A Central Telefônica era comandada por Antonio José dos Santos, Cláudio Garcia (Peninha), Roberto Russo e no setor de Energia, o Técnico José Pereira Pinto fazia as preventivas nas localidades nos motores estacionários, aqui o MWM, tinha que estar sempre pronto, pois quando caia a energia, ele entrava automaticamente, cujo apelido era Zé Pintão. O primeiro engenheiro que nos comandou em Dourados foi Eduardo Henrique França que pela sua capacidade chegou até a Presidência da Telems, hoje está aposentado.
A área administrativa era comandada por Alda Maria Saldanha, existia uma centena de telefonistas, as mais antigas: Ruth Godoy de Morais, Maria Cleusa Costa, era uma grande família que hoje está esparramada e o nosso contato maior com alguns é por email. Ainda encontramos muitos colegas pelas ruas de Dourados.
Um fato histórico que quero aqui relatar é que no prédio da Avenida Presidente Vargas, esquina com a Ponta Porá foi instalado o primeiro posto a álcool de Dourados para atender a frota da empresa em 1979. Lembro-me que foi tirada uma foto, publicada no Jornal O Progresso onde apareceu Alberto Ferreira da Cruz abastecendo um fusca, seus colegas na cidade fizeram comentários sobre a sua nova função.
No dia 05 de maio de 1981 foi inaugurado o sistema DDI de Dourados, já no prédio novo, na Rua Major Capilé, aconteceu uma grande festa, a primeira ligação foi para Sydnei -Austrália, houve uma conversação em inglês entre o ministro Aroldo Corrêa de Matos, muitos políticos presentes e muita gente ficou boqui aberta. Uma pessoa de destaque na política douradense começou a bater palmas antes da hora, pois ele disse que nunca tinha ouvido alguém falar em inglês e não sabia que o pessoal de Brasília também falava inglês.
Com a participação do engenheiro Mário Guimarães (gambá), Cunha, Alda, Peninha, William, Edivaldo (pelé), Anadir, fizemos uma reunião e fundamos o Clube 5 de Maio. Tive a honra de elaborar e assinar o primeiro Estatuto em março de 1982, sendo eleito o primeiro presidente Peralta e no governo do engenheiro Antonio Braz Mello ganhamos uma área do Município, onde construímos o clube que está localizado próximo ao Conjunto Izidro Pedroso.
Em 29 de julho de 1998 o Sistema Telebrás foi privatizado, ficando presente somente em nossa memória as boas lembranças, os colegas de trabalho, as festas do dia 05 de maio no Indaiá, os almoços no Restaurante Guarujá e presença dos nossos diretores que vinham até Dourados nos prestigiar.
Nossa herança mais importante, além da amizade dos companheiros é o Clube Cinco de Maio que construímos com nosso suor e é administrado pelos empregados remanescentes Iciro, Agileu que continuam trabalhando na Telems, hoje OI.
Triste é ver o prédio da Telems (OI) todo desbotado, cujo trecho da Rua Dr Camilo Hermelindo da Silva, está morto e parece que ficou triste, poderia ser um cartão de visita de Dourados. Ali trabalhei por 23 anos, saí ao ser demitido como centenas de colegas no governo FHC. Ali existia uma frota de quase 100 carros, um posto do Banco do Brasil para atender os clientes.
Intermediei no Procon em Dourados, várias audiência e vi o quanto existe de reclamações no novo sistema, já houve uma promessa da Anatel, criado para fiscalizar o setor de que haveria nas cidades de porte médio um escritório para atender os problemas diversos, mas parece que ficou somente no papel. Aonde estão os nossos deputados para cobrar? Será que é somente Dourados que está assim?
Feliz Dia das Comunicações!
Dourados-MS, 05 de maio de 2010.

(*)advogado, licenciado em Letras com Inglês, produtor rural no Distrito da Picadinha e estudante do idioma guarani ñandéva.

domingo, 2 de maio de 2010

ADELANTE PALOMITA!...

Isaac Duarte de Barros Junior*
No primeiro dia do mês de maio douradense, o felizardo torcedor que ganhar um convite do Palomita, poderá ter um assento na arquibancada da saudade, se souber sonhar. Dominando as lágrimas das lembranças, o obsequiado poderá aplaudir com as batidas do coração, os grandes atletas e dirigentes de futebol do passado local. Alguns artilheiros já falecidos, nessa festividade singular, parecem retornar da eternidade, graças ao ambiente proporcionado pela família do ex-meio-atacante Euzébio Lopes, o primeiro palomita, nascido em 23 de março de 1934, em Porto Murtinho. Com um pouco de imaginação, os convidados conseguem fazê-los voltar a pisar nos gramados dos sonhos, prontos para jogarem as inesquecíveis partidas dominicais entre Operário e Ubiratan.
Consumindo um pouco mais da cerveja gelada, lá servida com carinho, Ranulpho Saldivar e Hayel Bom Faker, de guarda-chuva na mão, podem aparecer na memória e tomarem assento nas suas cadeiras reservadas, instaladas na beira do campo na L.E.D.A. Napoleão Francisco de Souza, de revólver na cintura, certamente surgirá pronto para ser o árbitro desse encontro, enquanto um grego alcunhado de Fisíca, se posicionará como massagista. Alambrados de madeira, construídos no antigo estádio municipal da liga, vulgarmente chamados de “puleiros”, lotado de torcedores alvoroçados, voltam milagrosamente a se acotovelar, vezes gritando, ora aplaudindo. Norton Saldivar, ídolo maior da torcida operariana, seguido do companheiro Ramon Bobadilha, parece que acenam para os populares.
De repente, naquele congraçamento anual de desportistas de épocas diferentes, agora misturados, Raphael Bianchi, Fredis Saldivar, Ataliba Penzo, Piper, Valdessi, Oduvaldo Pompeu, Pilo Além, Miro, Munir e Fauze Faker, Leba, Zé Paulo, Nenzo, Mauro Alonso, Jairo Quadros e Tarzan, são escalados para o jogo amistoso das recordações. Mas, Odilon Azambuja, Taifa, Alfio Senatore, Alonsito, Abel Campos, Davi, Mancha Negra e Pedro Lopes, também dão mostras de querer participar do encontro. Nisso, uma gargalhada alta, aflorada nos lábios de um convidado do Euzébio Lopes, interrompe as reminiscências saudosistas deste escriba, mostrando pessoas anatomicamente envelhecidas pelo transcurso do tempo. Pois na verdade, no grande Itália, idealizado pelo engenheiro Vitório Fedrizzi, recanto da colônia paraguaia, morada dos pedreiros que construíram a maioria dos prédios da cidade de Dourados, acontecia salutarmente uma reunião predisposta a homenagear o falecido ex-vereador Valter Brandão da Silva. Para tanto, respeitosamente, uma delicada placa de prata foi entregue a sua viúva Arenil Carneiro da Silva.
O ato cerimonioso demonstrava um pleito de gratidão dos velhos atletas, pelos seus feitos em benefício do esporte local. O cerimonial doméstico, prosseguindo, proporcionou a fala de muitos oradores, que usavam sensibilizados da palavra, prestando tributos ao saudoso treinador “mandioca”. Seguiram-se pós-homenagens, fotos de flash-back e abraços fraternais entre os presentes. O som ao vivo da alegre música paraguaia, adoçava os ouvidos dos convidados, enquanto algumas senhoras serviam um lauto almoço de confraternização.
Parcimoniosas as minhas acumuladas emoções, vê-se que convidados, desportistas veteranos, começavam a remexer no suposto velho baú das recordações. Alkindar Rocha, agora de cabelos grisalhos, trocava figurinhas do seu vasto conhecimento histórico desportivo. Ao seu lado, o vigor de Valdessi Carbonari, sorria como sempre. Albino Torraca de Almeida, um dos fundadores do Operário Futebol Clube em 05 de maio de 1953, lembrava-se da ata assinada em companhia do meu pai e que seu genitor Dalmário Vicente de Almeida, havia presidido o operário FC, o mesmo acontecendo com seu irmão Dr. Heitor, odontólogo e advogado. Eduardo Lopes, o segundo “palomita” que trabalha em uma rádio FM, assessorava com os demais irmãos Ramão, Luiz Carlos, Eusébio e Guedes, o entra e sai dos convidados da solenidade. Desta vez, organizada na residência da filha do veterano jogador, a Dra. Plácida e seu marido Manoel Machado, impecável churrasqueiro.
Cercado desse clima inebriante, meus pensamentos, momentaneamente, transportaram-me aos logincuos domingos da distante mocidade. Assim, em pleno campo da L.E.D.A municipal, voltei a viver as emoções na cabine da rádio clube, trabalhando em companhia dos locutores esportivos Roberto Pompeu, Luiz Antonio Maksoud Bussuan, Percival de Assis e Caiado Netto. Todos nós, assistidos tecnicamente por Ermelindo Azevedo e Jorginho Salomão. Cada qual, nessa recordação, éramos jovens, ainda moços sorridentes, com todo o futuro pela frente, respeitadas as devidas épocas. Olhando no interior do campo, hipnotizado por essa abstração na Vila Hilda, acho até, que ouvi novamente o seu Ranulpho Saldivar, gritar como de costume: adelante palomita, mire bien nel arco!... Fechando os meus olhos, nessa solenidade desportiva que se repete há quase trinta anos, chorei de saudade em silencio.

*advogado criminalista, jornalista.
e-mail: isane_isane@hotmail.com

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Quem morre na véspera é peru

Braz Melo (*)

Tenho assistido muitas estórias e conversas sobre política local ultimamente. Teve até um encontro sobre a participação de Dourados na representatividade política de Mato Grosso do Sul. Muito importante, porém quem precisava estar lá, não foi. Talvez por não terem sido convidados com certa antecedência. Ou não acreditaram no projeto em si.
E lá assisti o pronunciamento de diversas pessoas e autoridades que pelo menos, uma me impressionou demais. O do Prefeito de Dourados que em seu discurso disse que vai apoiar os dois senadores que vão ganhar. Que ele não apóia aquele que vai perder. Levei um susto, discordei, mas imaginei que tinha sido apenas um desabafo momentâneo. Só que passado alguns dias, ele continua externando esse seu pensamento em todos os cantos de nossa cidade. Dá a impressão que ele tem uma bola de cristal para saber bem antes, o que vai acontecer somente em outubro.
E uma dos mais importantes predicados da política é o companheirismo. Sem esse predicado, não se vai muito longe.
Lembrei, quando prefeito pela primeira vez saiu candidato a Presidente da Republica o saudoso Ulisses Guimarães. Homem que tinha trabalhado durante sua vida inteira pela democracia e que tinha acabado de presidir a comissão que aprovara a nova Constituição, que foi um marco de avanços em nossa lei maior. Pois este grande brasileiro não conseguia um local para se apresentar em nosso Estado para fazer comícios. A Prefeitura de Campo Grande estava nas mãos do PTB de Ludio Coelho que como a grande maioria dos prefeitos apoiava o Collor e perguntaram para mim se tinha como fazer um comício para o nosso candidato do PMDB em Dourados.
Apesar dos poucos pontos que o Ulisses tinha na disputa com Collor, Brizola, Covas e outros tinham na pesquisa, fizemos uma carreata e um grande comício para nosso candidato. Perdeu em Dourados como em todo o Brasil, mas tivemos a alegria de ter acreditado num projeto dentro de seu partido e com companheirismo.
Tempos depois, ao ir a Brasília atrás de recursos, encontrei com o Senhor Constituição como era conhecido, na entrada do Congresso Nacional. Perguntei a ele se lembrava de mim e ele sem muitas delongas me abraçou e me disse que não poderia esquecer de um prefeito de uma cidade grande que conhecia seus concidadãos pelo nome e muitos até pelo apelido.
Meses depois, Dr. Ulisses, ao saber do casamento de minha filha mais velha, fez questão de vir ao mesmo, agradecido pelo trabalho que fizemos para ele, quando candidato.
O exemplo está no dia a dia da política. Brizola no Rio de Janeiro, até na ultima semana a pesquisa dava ele como derrotado. Eu mesmo, quando saí candidato contra o José Elias, em abril de 1988, tinha 4 por cento contra 65 dele. Se eu não dependesse dos companheiros em acreditar naquele projeto, não teria conseguido aquela grande vitória.
Devido a necessidade de precisarmos que a região de Dourados tenha mais representatividade nos cargos políticos, inclusive de cargos nunca conseguidos anteriormente, é muito importante que o mandatário da maior cidade da região acredite neste projeto.
Não se deve entregar o jogo antes do jogo acabar. Muito menos antes dos times entrarem em campo.
A história da eleição de Senador casada (escolha de dois senadores) nos mostra que aquele que sai na frente, normalmente perde a eleição. Ganharam as eleições os dois candidatos que fizeram o trabalho em conjunto.
Temos de acreditar sempre quando a causa é justa e importante para nós, pois como diz o ditado popular: “Quem morre na véspera é peru.”

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Quem não se comunica...

Braz Melo (*)
Participei de diversas campanhas políticas. Cada uma tem suas peculiaridades e muitas estórias. Hoje descrevo algumas, porém existem algumas regras que são válidas para todas. Vamos lá.
Quando garoto, meu avô era udenista, apaixonado pelo Brigadeiro Eduardo Gomes e meu pai torcia pelo Getulio Vargas. Mesmo assim eles se davam bem. Talvez por esta democracia vivida dentro da família, ficou fácil torcer pelo Fluminense, mesmo sendo meu pai vascaíno doente.
E quem participa da política tem de ser assim. Não se deve misturar política com amizade. Quantos amigos temos que não comungam da mesma ideologia que a gente? E não é por isso que deixamos de sermos amigos. Se fosse o contrário não valeria a pena fazer política, pois esta é também a arte de conviver com os opostos.
Imagina se o eleito só atendesse os anseios e solicitações dos companheiros que acreditasse, tivessem votado nele.
Uma coisa é compor sua assessoria de pessoas de sua confiança e outra coisa é administrar somente atendendo seus companheiros.
Eu mesmo tive a oportunidade de rever secretarias que estavam com pessoas que me ajudaram a ganhar a eleição e que por necessidade de troca, fazer por um que não era companheiro de então.
Exemplo disso foi quando o Valfrido Silva, que era meu Secretário de Comunicação em 1989 foi convidado para ser Diretor de Jornalismo da TV Morena em Campo Grande, função de grande importância para Dourados e região, escolhi uma profissional para substituí-lo que tinha feito campanha para o José Elias, meu adversário. E a Maria Gorete se incorporou muito bem em nosso meio.
Logo que aqui cheguei, na década de 1970, lembro da fotografia oficial do Prefeito João Totó Câmara, onde abaixo de sua foto, tinha os dizeres: “Prefeito de todos os douradenses”. Aquela frase me chamou a atenção e me norteia até hoje. E aquela época era de política de dois lados. Não tinha coluna do meio. O meu amigo Harrison de Figueiredo me contava que quando um adversário ganhava a eleição, ele não pisava nem na calçada da Prefeitura durante os anos governados pelos outros. Assim também se portava o grupo antagônico.
A primeira vez que participei de uma campanha, ainda de maneira tímida, foi quando o José Elias ganhou do candidato que votei, o Lauro Machado. Naquela eleição, além de apoiar o Lauro, ajudei o Valter Baiano, candidato a vereador que conseguiu, com minha ajuda, 92 votos. O Valter Baiano era comunista de carteirinha e vendia bilhete da loteria federal. Tinha vindo de Vitoria da Conquista para Dourados a fim de gerenciar o Expresso Real. Acabou se apaixonando por nossa cidade e aqui ficou. Com nome de comandante da Marinha, Valter Fernandes de Oliveira Santos, era um homem inteligente, com uma cultura acima do normal e ra um gozador de marca maior. Até hoje sinto falta de nossa prosa.
Nesta eleição, tinha comícios todas as noites. Fazia comícios em todos os bairros, distritos e travessões. Era uma festa todo dia. Um dia no Barreirinho, no dia seguinte em Vila Vargas e assim passavam 90 dias tentando convencer os eleitores de suas propostas. Na eleição para vereador a disputa era voto a voto.
No dia da eleição 1976, ao sair de casa para ajudar meu candidato, Anete me perguntou para quem eu iria votar para vereador. E eu preocupado com o pleito, secamente falei que era no Valter. Quando saiu o resultado e chateado pela pouca votação de meu vereador, descobri que Anete tinha votado no Valter errado. Votou no Valter Carneiro, nosso amigo, mas que era adversário político. Tempos depois morríamos de rir com o engano nosso. Quem não se comunica...

terça-feira, 13 de abril de 2010

ANGÉLICA...

Isaac Duarte de Barros Junior*
O Distrito de Angélica no século passado foi um dos mais fortes redutos petebistas que existiu na região da grande Dourados, lugar onde a gratidão do colono eleitor nordestino por Getulio Dorneles Vargas, acentuadamente se consolidou com o suicídio presidencial em 1954. Naquela localidade, nós os antigos militantes ex-udenistas, tínhamos em qualquer situação eleitoral o nosso calcanhar de Aquiles. Como nos anos setenta, quem ganhava as eleições na zona rural definia o pleito municipal, José Elias Moreira um perdedor nesse reduto na primeira vez que se candidatou ao cargo, naquele resolveu mineiramente preparar-se para concorrer novamente. Nessa feita, voltando a disputar a prefeitura na sucessão do prefeito João da Câmara, o mineirinho montou uma estratégia juntamente com outros correligionários políticos. Entre eles, estavam o pecuarista Antenor Martins Junior e o farmacêutico Arnulpho Fioravanti. Assim, acompanhado do motorista João Amaral, eu e o barbeiro José Batista dos Santos, o “Zé do Norte”, Zé Elias, funcionário licenciado do INCRA, usando um fusquinha, desembarcamos temporariamente na residência do falecido comerciante Cícero Ferro.
Depois, já acomodados em uma pensão, quando Angélica ainda era pequeno povoado sem atrações noturnas, dividi um quarto modesto da pousada com o motorista João Amaral, companheiro leal da “missão” estabelecida. Uma noite, um bêbedo nordestino me chamou a atenção. Embriagado, meio sonolento, o pinguço cantava uma canção com estes versos: “Lampião tava drumindo, acordou com dor de dente e atirou numa abraúna, pensando que era um tenente...”. A cena engraçada, apesar dos anos transcorridos, continua marcada na minha memória. Nessa época saudosa, a “comissão do sim” para manumitir Angélica, reunia-se a noite na casa do “seu” Tito, às vezes, até a luz de lampião. Entre as pessoas conhecidas arrojadas da época, estavam presentes o professor Ivo Nascimento, Antenor Vargas, os membros da família Ferro, Doralice Wolf e outros personagens componentes da operante caravana pró-emancipação daquele município. Lembro, que tempos depois, nomeado delegado municipal de policia, João “gordo” Pereira acabaria me convencendo a alugar uma sala no centro de Angélica, onde eu abri o primeiro escritório de advocacia daquele município. Ali, passei a atender clientes duas vezes por semana na área criminal. Mas, o município de Angélica, nesse tempo, para minha especialidade, era ordeiro e pacato demais. Com isso acontecendo, durou pouco tempo as minhas atividades advocatícias naquela cidade.
José Elias Moreira, jovem mineiro nascido em Poços de Caldas, acostumado a fazer longas caminhadas, animado, todos os dias fazia centenas de visitas domiciliares, exortando a população que votasse na campanha em favor do “sim” daquele plebiscito. Pois, caso o movimento fosse vencedor, ele explicava que transformaríamos o Distrito de Angélica em novo município sul-mato-grossense. Do lado oposicionista, como destacada liderança, a advogada Marieta Pereira de Souza, então professora, trabalhava pelo voto “não”. Por ironia do destino, venceu a campanha plebiscitária do voto “sim” e a Dra. Marieta Pereira de Souza, elegeu-se como a primeira prefeita de Angélica, fazendo uma excelente administração. O José Elias Moreira, filho esperto da dona Chiquinha e do velho Quinsito, se livrou naquela tacada de mestre, dos votos petebistas de Angélica, elegendo-se finalmente prefeito de Dourados. Depois, candidatou-se a governador e foi deputado federal constituinte. Seu mandato federal teve a produtiva duração de duas legislaturas.
José Batista dos Santos, o “Zé do norte”, eufórico, nessa época, profetizava que durante vinte anos, aquele nosso grupo entusiasta de jovens políticos permaneceria no poder, um presságio que quase acabou acontecendo. Quanto ao comerciante idealista Cícero de Oliveira Ferro, este se elegeu vereador pelo município de Angélica, todavia morreu assassinado no interior do seu estabelecimento comercial. A fatalidade ceifou também a vida do saudoso vereador Ediberto Celestino de Oliveira, o ultimo edil eleito na comunidade de Angélica para compor a Câmara Municipal de Dourados. Todavia, enquanto durou seu mandato, Ediberto foi um homem valoroso na Tribuna. Assim, depois dessa trabalhosa emancipação política, enfim surgiu no mapa de Mato Grosso do Sul a progressista cidade de Angélica. Hoje, um centro agro-pecuário comercial muito próspero, orgulhando a todos os moradores, residentes no Vale do Ivinhema...
*advogado criminalista, jornalista.
e-mail: isane_isane@hotmail.com