Isaac Duarte de Barros Junior *
Na minha juventude, no velho Mato Grosso sem ser dividido, conheci uma mocinha muito bonita na pequena cidade onde nasci. Ela tinha costumes austeros, era uma jovem de cabelos longos lisos, em síntese, a moça lembrava com seu corpo esguio, as donzelas bem nascidas no sul da Itália de onde vieram suas bisavós. Bastante religiosa, não faltava às missas dominicais e a ragazza desaprovava bebedeiras em excesso da rapaziada, serenatas boêmias e o comportamento dos petulantes, como foi o meu tipo em determinadas ocasiões, inclusive na primeira vez que a encontrei.
Com um sorriso trigueiro, lembrando as searas de campos argentinos, seus carnudos lábios vermelhos eram como duas cortinas, que ao se abrirem no palco da sua boca, exibiam dentes alvos perfeitos. Seus tranqüilos olhos verdes da cor da primavera se assemelhavam as folhas da erva mate nativa, que eram escolhidas e separadas refinadamente nos barbácuas pelos experientes velhos ervateiros, no preparo daquela bebida destinada a ser consumida nas futuras rodas de tereré.
O salão paroquial pertencente aos padres franciscanos e o único clube social existente na época, funcionavam ao som de um toca discos Philiphs durante os domingos, rodando canções românticas, ou músicas lentas no linguajar da mocidade, embalando o dancing das tardes domingueiras. Não havia ar condicionado nesses salões de baile improvisado e poucos jovens possuíam um carro para rodar pelas ruas de pó vermelho e quando chovia forte, os moços menos favorecidos pela circunstancia da fortuna, usavam seus guarda chuvas. Mas mesmo assim, não evitavam embarrar os seus pés e sujar as roupas nas poças d’água que se formavam nas ruas escuras e lamacentas.
A abastada conta bancária de qualquer rapaz solteiro, se porventura existisse nas duas agencias recém instaladas e a etiqueta de um bom sobrenome, por mais tradicional que pudesse ser não significava nada se o moço não fosse um homem honesto e trabalhador. Os doutores descompromissados, eram poucos e os funcionários solteiros de carreira no Banco do Brasil, eram considerados um bom partido.
A Rosália, apesar das suas qualidades morais, era também uma moça sonhadora, que ansiava possuir riqueza em forma de dinheiro, fortuna que não tinha na biografia, porque havia nascido em uma família pobre. Exigente, na sua exuberante beleza diferenciada, ela policiava bons costumes até nas roupas finas trajadas pelas outras moças da sua idade. Não freqüentava as domingueiras festivas, ansiando pela chegada do seu príncipe milionário. Um dia, finalmente ele apareceu ao volante de um belo automóvel.
Elegante, bom de conversa, o tal empresário queria comprar uma vasta propriedade na zona rural. O pai de Rosália, conhecido corretor de imóveis, apresentou seu cliente supostamente abastado para a filha, que encantada com o golpe da sorte, começou a namorá-lo. Na realidade, se tratava de um estelionatário dos piores, acostumado a dar golpes nos incautos. Entretanto, enfeitiçada pelo amor desvairado, Rosália entregou-se num momento de amor planejado ao jovem pilantra bom de fala, na expectativa de obrigá-lo a assumir um futuro casamento e assim finalmente ela tornar-se-ia uma senhora rica e poderosa. Aquela brasiguaia geniosa e bonita perdeu numa só noite calculista, a sua virgindade e a sonhada fortuna, pois assim como o namorado canastrão chegou, ele sumiu da cidade.
Sentindo os sintomas da gravidez, envergonhada ela fugiu de casa para procurar seu desaparecido namorado rico, descobrindo-o depois de muito empenhar-se na busca. Ele estava na cadeia, condenado, acusado de estelionato e uma infinidade de outros crimes. Desesperada, a brasiguaia Rosália, não mais retornou ao lar paterno. Teve de parto natural, uma filha nas mãos de parteiras e para sustentá-la se prostituiu. Adotou o nome de guerra Frances Pechôt, tornando-se a prostituta mais solicitada e conhecida dos anos sessenta entre os douradenses freqüentadores de prostíbulos.
Foi por sua beleza, a mais famosa de todas as mulheres de vida fácil nas conversas animadas dos rapazes daquela geração. Sua filha, assim que completou quinze anos, seguiu os passos de Rosália, agora sem moral nenhuma para impedir o curso do destino. O advogado João Beltran, um dos seus confidentes e admiradores, me contou a muitos anos, que ela era uma mulher sofrida e nunca se esqueceu do seu primeiro amor vigarista...
*advogado criminalista, jornalista.
e-mail : isane_isane@hotmail.com
quarta-feira, 15 de abril de 2009
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Após a eleição de 1982
Braz Melo (*)
O ultimo comício de nossa coligação foi na Vila Rosa. De lá ouvíamos o espocar dos fogos no comício de encerramento do Luiz Antonio, na inauguração da Rodoviária de Dourados. E com o José Elias e tudo.
Veio a eleição e o resultado já era esperado. Tínhamos perdido a eleição de prefeito em 1982 para o Luiz Antonio.
Foi a ultima eleição com sublegenda para prefeito e nós do PDS tivemos como adversários o João da Câmara e Sultan Rasslan pelo PMDB, e o Cícero Irajá Kurtz, o Isaac de Barros Jr. e o Ramão Perez pelo PDT. A soma dos votos das legendas fez o Luiz Antonio prefeito e Dr. George Takimoto vice.
Meu vice foi o Fredis Saldivar. O Quirino Picolli foi o vice dos dois candidatos do PMDB e do PDT foi o José Marques Luiz.
Fizemos quatro vereadores (Osvaldo Basé, Norecy, Pederiva e Erisvaldo Mendonça) e o PDS 1 mais quatro (José Braga, Mariano, Arquimedes e Valter Brandão). O PMDB fez sete vereadores (Albino Mendes, Paulo Falcão, Pinda, Valdir Perusso, Carlão, Dr. Aureo e Valdenir Machado), e como o José Elias tinha perdido a eleição para governador, ele trabalhou para que os vereadores que se elegeram na minha coligação ajudassem a apoiar o prefeito, já que o Luiz Antonio precisava de maioria na Câmara.
Eu resolvi ficar de fora e tocar minha vida de outra maneira. Pedi demissão da Sanesul e parti para a luta.
Vendi a casa que morava no Portal de Dourados para pagar as contas que restaram. Claro que as despesas eram bem menores do que hoje se gasta numa eleição, principalmente por causa do transporte, já que todos se locomovem a combustível. Hoje, no mínimo a pessoa tem uma moto, e a gasolina é muito cara. Além do leilão de quem dá mais... . Por mais forte que seja o candidato, se não tiver algo para oferecer, ele pode perder seu favoritismo.
Fui morar de aluguel no Gran Vilagge.
Montei uma firma com o Shinsuke Ono, e começamos nova vida. Compramos um computador, coisa nova naquela época, e começamos a fazer projetos e prestar serviços a algumas prefeituras. Em Amambaí fizemos o lançamento do IPTU.
Fizemos aqui em Dourados, para o Aufio Senatori, a primeira lista telefônica particular de Dourados.
O computador era caro e com poucos recursos, mas para a aquela época era coisa rara. Poucos o tinham.
Consegui com alguns amigos meus a relação de pessoas que compravam a credito em algumas lojas de Dourados, montei um cadastro e comecei a mandar correspondências de aniversários. Quem entregava estas cartas era o Osmar Borba, que hoje é o diretor do Departamento de Transito da Prefeitura, e os filhos do Mario Aragão, Samuel e depois o Marcos, que hoje são veterinários e que trabalharam depois com o Valdir Perusso.
Um tempo depois aparece um senhor com sotaque sulino no escritório à noitinha, com um envelope na mão, e perguntava se eu conhecia a Fulana de Tal, que era sua esposa? Disse que não e ele perguntou o porquê de eu mandar cartão de aniversário para ela?
Questionou-me como sabia onde ela morava e expliquei que conseguia o endereço em alguma loja, através de um cadastro. Perguntou-me porque não mandava para ele? Disse que talvez ele não comprasse a prazo, e nisso ele concordou. Mandei-o ler a cartinha, e ele viu quem assinava o cartão era Anete e eu. Foi o que me salvou do ciúme do gaúcho.
Peguei a data de seu aniversario e a partir daí, mandei felicitações natalinas e de aniversários para ele também. Até hoje ele é nosso amigo.
O ultimo comício de nossa coligação foi na Vila Rosa. De lá ouvíamos o espocar dos fogos no comício de encerramento do Luiz Antonio, na inauguração da Rodoviária de Dourados. E com o José Elias e tudo.
Veio a eleição e o resultado já era esperado. Tínhamos perdido a eleição de prefeito em 1982 para o Luiz Antonio.
Foi a ultima eleição com sublegenda para prefeito e nós do PDS tivemos como adversários o João da Câmara e Sultan Rasslan pelo PMDB, e o Cícero Irajá Kurtz, o Isaac de Barros Jr. e o Ramão Perez pelo PDT. A soma dos votos das legendas fez o Luiz Antonio prefeito e Dr. George Takimoto vice.
Meu vice foi o Fredis Saldivar. O Quirino Picolli foi o vice dos dois candidatos do PMDB e do PDT foi o José Marques Luiz.
Fizemos quatro vereadores (Osvaldo Basé, Norecy, Pederiva e Erisvaldo Mendonça) e o PDS 1 mais quatro (José Braga, Mariano, Arquimedes e Valter Brandão). O PMDB fez sete vereadores (Albino Mendes, Paulo Falcão, Pinda, Valdir Perusso, Carlão, Dr. Aureo e Valdenir Machado), e como o José Elias tinha perdido a eleição para governador, ele trabalhou para que os vereadores que se elegeram na minha coligação ajudassem a apoiar o prefeito, já que o Luiz Antonio precisava de maioria na Câmara.
Eu resolvi ficar de fora e tocar minha vida de outra maneira. Pedi demissão da Sanesul e parti para a luta.
Vendi a casa que morava no Portal de Dourados para pagar as contas que restaram. Claro que as despesas eram bem menores do que hoje se gasta numa eleição, principalmente por causa do transporte, já que todos se locomovem a combustível. Hoje, no mínimo a pessoa tem uma moto, e a gasolina é muito cara. Além do leilão de quem dá mais... . Por mais forte que seja o candidato, se não tiver algo para oferecer, ele pode perder seu favoritismo.
Fui morar de aluguel no Gran Vilagge.
Montei uma firma com o Shinsuke Ono, e começamos nova vida. Compramos um computador, coisa nova naquela época, e começamos a fazer projetos e prestar serviços a algumas prefeituras. Em Amambaí fizemos o lançamento do IPTU.
Fizemos aqui em Dourados, para o Aufio Senatori, a primeira lista telefônica particular de Dourados.
O computador era caro e com poucos recursos, mas para a aquela época era coisa rara. Poucos o tinham.
Consegui com alguns amigos meus a relação de pessoas que compravam a credito em algumas lojas de Dourados, montei um cadastro e comecei a mandar correspondências de aniversários. Quem entregava estas cartas era o Osmar Borba, que hoje é o diretor do Departamento de Transito da Prefeitura, e os filhos do Mario Aragão, Samuel e depois o Marcos, que hoje são veterinários e que trabalharam depois com o Valdir Perusso.
Um tempo depois aparece um senhor com sotaque sulino no escritório à noitinha, com um envelope na mão, e perguntava se eu conhecia a Fulana de Tal, que era sua esposa? Disse que não e ele perguntou o porquê de eu mandar cartão de aniversário para ela?
Questionou-me como sabia onde ela morava e expliquei que conseguia o endereço em alguma loja, através de um cadastro. Perguntou-me porque não mandava para ele? Disse que talvez ele não comprasse a prazo, e nisso ele concordou. Mandei-o ler a cartinha, e ele viu quem assinava o cartão era Anete e eu. Foi o que me salvou do ciúme do gaúcho.
Peguei a data de seu aniversario e a partir daí, mandei felicitações natalinas e de aniversários para ele também. Até hoje ele é nosso amigo.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Os Vlll Jogos Abertos Brasileiros.
Braz Melo (*)
Em 1999, dos dias 1 a 5 de dezembro foram realizados em Dourados, os Vlll Jogos Abertos Brasileiros. Para que este evento pudesse ser realizado em nossa cidade o trabalho começou dez anos antes.
Quando assumimos a prefeitura pela primeira vez, em 1989, não existia uma quadra coberta publica em nossa cidade. Só existia já muito deteriorado, o Ginásio do Operário Futebol Clube, nas proximidades da Vila Matos.
Em 1992 já tínhamos feito o Ginásio de Esportes Municipal, o Pavilhão de Eventos Mauro Rigotti e nove quadras cobertas nos CEUs. Era diretora da FUNCED na época a Beth Salomão e implantamos juntamente com a Educação o Programa Recriança.
Na segunda administração foi a vez de mais duas quadras cobertas e muitos campos de futebol nos bairros e distritos.
Através da administração da FUNCED na segunda gestão e do diretor Mauro Cruz, implantamos o programa esporte solidário que deu oportunidade de congregar mais de duas mil crianças em dezenas de núcleos de nossa cidade e distritos. Desses meninos, 28 foram jogar futebol e futebol de salão no exterior, principalmente Portugal, Espanha e Itália.
Mas voltando ao JAB´s, Dourados foi escolhida pelo trabalho desenvolvido e pela infra estrutura colocada a disposição e aprovada pela Fundesporte. Foi a primeira cidade de Mato Grosso do Sul a sediar este importante evento do calendário esportivo nacional. Nossa capital só acolheu estes jogos seis anos depois, em 2005.
Os Jogos são patrocinados pelos estados e municípios que participam anualmente destas competições. Inicialmente é feito um torneio em cada estado para ver qual a cidade campeã da modalidade, pois é a equipe campeã que representa seu estado. Só para exemplificar, o representante do Rio Grande do Sul no Handebol masculino e feminino foi o time da Ulbra, pois disputou a seletiva no seu estado e sagrou campeão. Guarulhos representou São Paulo no masculino.
Compareceram delegações de São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e pela primeira vez, a cidade que patrocinou os jogos. No Futsal o campeão foi o Paraná com o time de São Miguel dos Pinhais. O vice foi o Rio Grande do Sul representado pela cidade de Cruz Alta.
As atividades de Futsal e Handebol foram jogadas no Ginásio Municipal. Basquetebol no SESI; Judô no Clube Indaiá; Atletismo foi disputado no Parque Arnulfo Fioravante; Voleibol na AABB e Natação no Sport Center.
Na abertura compareceram mais de 10.000 pessoas. Foi uma festa inesquecível.
Os Jogos Abertos trouxeram para Dourados 82 equipes de 7 estados, além de campeões como a judoca Edinanci Silva , medalha de ouro no pan americano de Santo Domingo, representando a equipe campeã de São Caetano.
As Sedes dos JABS foram, em seqüência: 1992 Pato Branco (PR); depois Chapecó (SC), Venâncio Aires (RS), Indaiatuba (SP), Campo Mourão (PR), Ibirama (SC), Petrópolis (RJ). Em 1999 foi a vez de Dourados (MS) e em 2000 Atibaia (SP), depois Brusque (SC), Toledo (PR), Poços de Caldas (MG), Bento Gonçalves (RS), Campo Grande (MS), Nova Friburgo (RJ), Jaraguá do Sul (SC). No ano passado foi Praia Grande (SP). Em 2009 a sede será em Maringá (PR).
Quando sede Dourados recebeu os atletas de braços abertos e as delegações saíram daqui agradecidos pela hospitalidade e até hoje comentam que foi os Jogos Abertos Brasileiros mais organizados.
Para o diretor geral dos Vlll Jogos Abertos Brasileiros, Sid Pinto Barbosa Junior “Os JAB´s em Dourados foi um sonho que se tornou realidade e será um marco, uma referencia para o desporto do Estado de Mato Grosso do Sul”.
Em 1999, dos dias 1 a 5 de dezembro foram realizados em Dourados, os Vlll Jogos Abertos Brasileiros. Para que este evento pudesse ser realizado em nossa cidade o trabalho começou dez anos antes.
Quando assumimos a prefeitura pela primeira vez, em 1989, não existia uma quadra coberta publica em nossa cidade. Só existia já muito deteriorado, o Ginásio do Operário Futebol Clube, nas proximidades da Vila Matos.
Em 1992 já tínhamos feito o Ginásio de Esportes Municipal, o Pavilhão de Eventos Mauro Rigotti e nove quadras cobertas nos CEUs. Era diretora da FUNCED na época a Beth Salomão e implantamos juntamente com a Educação o Programa Recriança.
Na segunda administração foi a vez de mais duas quadras cobertas e muitos campos de futebol nos bairros e distritos.
Através da administração da FUNCED na segunda gestão e do diretor Mauro Cruz, implantamos o programa esporte solidário que deu oportunidade de congregar mais de duas mil crianças em dezenas de núcleos de nossa cidade e distritos. Desses meninos, 28 foram jogar futebol e futebol de salão no exterior, principalmente Portugal, Espanha e Itália.
Mas voltando ao JAB´s, Dourados foi escolhida pelo trabalho desenvolvido e pela infra estrutura colocada a disposição e aprovada pela Fundesporte. Foi a primeira cidade de Mato Grosso do Sul a sediar este importante evento do calendário esportivo nacional. Nossa capital só acolheu estes jogos seis anos depois, em 2005.
Os Jogos são patrocinados pelos estados e municípios que participam anualmente destas competições. Inicialmente é feito um torneio em cada estado para ver qual a cidade campeã da modalidade, pois é a equipe campeã que representa seu estado. Só para exemplificar, o representante do Rio Grande do Sul no Handebol masculino e feminino foi o time da Ulbra, pois disputou a seletiva no seu estado e sagrou campeão. Guarulhos representou São Paulo no masculino.
Compareceram delegações de São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e pela primeira vez, a cidade que patrocinou os jogos. No Futsal o campeão foi o Paraná com o time de São Miguel dos Pinhais. O vice foi o Rio Grande do Sul representado pela cidade de Cruz Alta.
As atividades de Futsal e Handebol foram jogadas no Ginásio Municipal. Basquetebol no SESI; Judô no Clube Indaiá; Atletismo foi disputado no Parque Arnulfo Fioravante; Voleibol na AABB e Natação no Sport Center.
Na abertura compareceram mais de 10.000 pessoas. Foi uma festa inesquecível.
Os Jogos Abertos trouxeram para Dourados 82 equipes de 7 estados, além de campeões como a judoca Edinanci Silva , medalha de ouro no pan americano de Santo Domingo, representando a equipe campeã de São Caetano.
As Sedes dos JABS foram, em seqüência: 1992 Pato Branco (PR); depois Chapecó (SC), Venâncio Aires (RS), Indaiatuba (SP), Campo Mourão (PR), Ibirama (SC), Petrópolis (RJ). Em 1999 foi a vez de Dourados (MS) e em 2000 Atibaia (SP), depois Brusque (SC), Toledo (PR), Poços de Caldas (MG), Bento Gonçalves (RS), Campo Grande (MS), Nova Friburgo (RJ), Jaraguá do Sul (SC). No ano passado foi Praia Grande (SP). Em 2009 a sede será em Maringá (PR).
Quando sede Dourados recebeu os atletas de braços abertos e as delegações saíram daqui agradecidos pela hospitalidade e até hoje comentam que foi os Jogos Abertos Brasileiros mais organizados.
Para o diretor geral dos Vlll Jogos Abertos Brasileiros, Sid Pinto Barbosa Junior “Os JAB´s em Dourados foi um sonho que se tornou realidade e será um marco, uma referencia para o desporto do Estado de Mato Grosso do Sul”.
terça-feira, 7 de abril de 2009
PESSOAS MARCANTES
Isaac Duarte de Barros Junior *
Quando o bar Pingüim e o bar Luchesi, disputavam comercialmente no escurecer agreste da nossa cidade, à preferência de uma seleta e minúscula freguesia boemia, cultuadora da vida noturna douradense, certamente as lembranças dos que viveram aquelas noites, devem se recordar sem fazer muito esforço da estereotipada figura obesa do José Milan.
Ele não tinha ocupação conhecida, não era “seresteiro”, mas foi uma espécie de talismã dos grupos musicais da época que eram freqüentadores desses bares, pois aplaudia todos os músicos e com alguns grupos até cantarolava sucessos conhecidos. Porém, na hora do ajantarado, nada o impedia ou atrapalhava a sua costumeira “boquinha” noturna, quando comia avidamente dois pães inteiros recheados de salame e outras vezes carregados de presunto com queijo.
Esse rapaz solteirão era filho do pioneiro de nacionalidade libanesa, o Elias Milan, que locava aquele prédio e outros existentes na Avenida Marcelino Pires. José Milan foi um douradense pacato, mas se ficava nervoso, ninguém ousava encrencar com o moço, senão já se tornava desafeto da fazendeira Geni Milan, esposa do Milton Milan, ou seja, a sua temida cunhada. Um dia, o “Zé gordo”, esse era seu apelido, desapareceu repentinamente de circulação, resolvendo ir morar na capital. Zé Milan escolheu para viver placidamente, um bairro simples de Campo Grande.
Outro personagem da noite douradense de outros tempos foi o jovem encrenqueiro Almir Galvão. Ele era um rapaz educado, mas tinha o terrível vício da embriaguez e quando bebia ficava valente. Todavia, o “grilo” gostava de filosofar nos balcões dos poucos botequins existentes do centro, fazendo questão de dizer a frase: “é melhor tomar cachaça, do que soltar fumaça”, pois odiava drogas. Tudo que ele me revelou da sua reservada intimidade, foi o fato que somente se embriagava repetidamente, para esquecer-se de um grande amor.
Porém, aquele boêmio fugaz, por mais que eu insistisse nunca revelou o nome da mulher amada. Em nosso último encontro, ele estava feliz, porque dizia que em breve segundo ele, finalmente iria se encantar dormindo para sempre. Nessa fase, eu estava pesquisando tipos humanos que apelidei nas linhas do meu diário, de loucos mansos. Às vezes, nos meus devaneios, acho que realmente o Almir Galvão se encantou.
Raphael Bianchi era outro paradigma ingênuo da noite local quase no final do século. Foi uma pessoa em vida, cheia de contradições. O emotivo “faé”, chorava com facilidade e gostava de praticar o bom futebol, tanto gostava que fundou o clube Ubiratan.
Entretanto, morreu de cirrose crônica. Adotando no seu cotidiano, tudo aquilo que um desportista deve evitar. Mas, estando sóbrio, era um cavalheiro culto e educado. Chegou em Dourados nos anos quarenta, para trabalhar nos escritórios da CAND (Colônia Nacional Agrícola de Dourados), como um alto funcionário do governo federal. Raphael Bianchi era admirado na competência pela chefa do escritório da colônia federal, a saudosa Risoleta Lúcia Leal Pereira, mulher muito considerada e respeitada pelos primeiros desbravadores. Ela não poupava elogios às virtudes do colega, mineiro de nascimento, que adotou por ser desportista, embriagar-se e morrer douradense.
Já na Praça Antonio João, onde funcionou um transformador central de energia elétrica da cidade, havia muitas árvores, uma fonte luminosa e diversos bancos de concreto patrocinados por casas do comércio local. Ali também viveu ao relento, descabelada, embriagada e sem tomar banho, a Maria Fortunato, ou simplesmente “Maria Louca”. Um sacerdote franciscano da igreja católica, incomodado com a situação da mulher, um tal de frei João Damasceno, que se rotulava pedreiro e gostava de bebericar uma “branquinha”, todos os paroquianos católicos sabiam desse gosto do padre, resolveu interferir. Esse clérigo chamou à doida e disse que ele nunca mais beberia nenhum gole, se ela também parasse definitivamente de beber. A louca aceitou a proposta e o mundo se livrou de dois alcoólatras. Se houve algum “milagre” nesse acontecimento, eu não sei se a autoria deve ser creditada para Maria ou para frei João.
Lembro-me às vezes desses tipos e os selecionei por haverem sido figuras marcantes da minha juventude, dentre as muitas personalidades interessantes que conheci na pequena Dourados de outrora. Todos eles foram figuras de comportamento diferenciado, em relação aos demais habitantes do povoado. Porém, foram pessoas díspares, com muitos deles dando a nossa comunidade ainda pequena a sua contribuição particular de trabalho, e esta articulação foi feita justamente para matar a saudade desses personagens de velhos tempos...
* advogado criminalista, jornalista
e-mail: isane_isane@hotmail.com
Quando o bar Pingüim e o bar Luchesi, disputavam comercialmente no escurecer agreste da nossa cidade, à preferência de uma seleta e minúscula freguesia boemia, cultuadora da vida noturna douradense, certamente as lembranças dos que viveram aquelas noites, devem se recordar sem fazer muito esforço da estereotipada figura obesa do José Milan.
Ele não tinha ocupação conhecida, não era “seresteiro”, mas foi uma espécie de talismã dos grupos musicais da época que eram freqüentadores desses bares, pois aplaudia todos os músicos e com alguns grupos até cantarolava sucessos conhecidos. Porém, na hora do ajantarado, nada o impedia ou atrapalhava a sua costumeira “boquinha” noturna, quando comia avidamente dois pães inteiros recheados de salame e outras vezes carregados de presunto com queijo.
Esse rapaz solteirão era filho do pioneiro de nacionalidade libanesa, o Elias Milan, que locava aquele prédio e outros existentes na Avenida Marcelino Pires. José Milan foi um douradense pacato, mas se ficava nervoso, ninguém ousava encrencar com o moço, senão já se tornava desafeto da fazendeira Geni Milan, esposa do Milton Milan, ou seja, a sua temida cunhada. Um dia, o “Zé gordo”, esse era seu apelido, desapareceu repentinamente de circulação, resolvendo ir morar na capital. Zé Milan escolheu para viver placidamente, um bairro simples de Campo Grande.
Outro personagem da noite douradense de outros tempos foi o jovem encrenqueiro Almir Galvão. Ele era um rapaz educado, mas tinha o terrível vício da embriaguez e quando bebia ficava valente. Todavia, o “grilo” gostava de filosofar nos balcões dos poucos botequins existentes do centro, fazendo questão de dizer a frase: “é melhor tomar cachaça, do que soltar fumaça”, pois odiava drogas. Tudo que ele me revelou da sua reservada intimidade, foi o fato que somente se embriagava repetidamente, para esquecer-se de um grande amor.
Porém, aquele boêmio fugaz, por mais que eu insistisse nunca revelou o nome da mulher amada. Em nosso último encontro, ele estava feliz, porque dizia que em breve segundo ele, finalmente iria se encantar dormindo para sempre. Nessa fase, eu estava pesquisando tipos humanos que apelidei nas linhas do meu diário, de loucos mansos. Às vezes, nos meus devaneios, acho que realmente o Almir Galvão se encantou.
Raphael Bianchi era outro paradigma ingênuo da noite local quase no final do século. Foi uma pessoa em vida, cheia de contradições. O emotivo “faé”, chorava com facilidade e gostava de praticar o bom futebol, tanto gostava que fundou o clube Ubiratan.
Entretanto, morreu de cirrose crônica. Adotando no seu cotidiano, tudo aquilo que um desportista deve evitar. Mas, estando sóbrio, era um cavalheiro culto e educado. Chegou em Dourados nos anos quarenta, para trabalhar nos escritórios da CAND (Colônia Nacional Agrícola de Dourados), como um alto funcionário do governo federal. Raphael Bianchi era admirado na competência pela chefa do escritório da colônia federal, a saudosa Risoleta Lúcia Leal Pereira, mulher muito considerada e respeitada pelos primeiros desbravadores. Ela não poupava elogios às virtudes do colega, mineiro de nascimento, que adotou por ser desportista, embriagar-se e morrer douradense.
Já na Praça Antonio João, onde funcionou um transformador central de energia elétrica da cidade, havia muitas árvores, uma fonte luminosa e diversos bancos de concreto patrocinados por casas do comércio local. Ali também viveu ao relento, descabelada, embriagada e sem tomar banho, a Maria Fortunato, ou simplesmente “Maria Louca”. Um sacerdote franciscano da igreja católica, incomodado com a situação da mulher, um tal de frei João Damasceno, que se rotulava pedreiro e gostava de bebericar uma “branquinha”, todos os paroquianos católicos sabiam desse gosto do padre, resolveu interferir. Esse clérigo chamou à doida e disse que ele nunca mais beberia nenhum gole, se ela também parasse definitivamente de beber. A louca aceitou a proposta e o mundo se livrou de dois alcoólatras. Se houve algum “milagre” nesse acontecimento, eu não sei se a autoria deve ser creditada para Maria ou para frei João.
Lembro-me às vezes desses tipos e os selecionei por haverem sido figuras marcantes da minha juventude, dentre as muitas personalidades interessantes que conheci na pequena Dourados de outrora. Todos eles foram figuras de comportamento diferenciado, em relação aos demais habitantes do povoado. Porém, foram pessoas díspares, com muitos deles dando a nossa comunidade ainda pequena a sua contribuição particular de trabalho, e esta articulação foi feita justamente para matar a saudade desses personagens de velhos tempos...
* advogado criminalista, jornalista
e-mail: isane_isane@hotmail.com
quinta-feira, 2 de abril de 2009
As eleições de 1982
Braz Melo (*)
As eleições de 1982 foram uma das mais importantes dos últimos tempos, pois além de ser a ultima do regime militar, foi a maior de todas as eleições. Naquele ano teve eleição de Governador, Senador, Deputado Federal, Deputado Estadual, Prefeito e Vereador.
Aqui em Mato Grosso do Sul ainda tinha uma importância a mais, pois iria eleger o seu primeiro Governador.
As movimentações políticas começaram bem antes. Em Dourados iniciaram dois anos antes.
Aqui na época, tinham duas correntes fortes. O prefeito José Elias Moreira, companheiro do governador Pedro Pedrossian tinha ganho a eleição de prefeito do grupo adversário em 1976. O ex- prefeito João Totó Câmara tinha apoiado o seu vice, Lauro Machado que perdeu a eleição, e era o outro grupo forte. Quando viu o que estava sendo armado, Totó resolveu sair do PDS e entrar no PMDB.
O Governador nos chamou e através do Chefe da Casa Civil, nos ofereceu a sublegenda do PDS 2. Reunimos o grupo inteiro e, depois de muito tentar remover o Totó da idéia de sair do partido e não conseguindo, resolveu-se, pela grande maioria presente, aceitar a proposta do Governador.
Tínhamos, juntos com o Totó, preparado uma chapa de candidatos a vereador bem forte, e conseguimos manter a maioria deles. Para vice-prefeito fomos atrás de alguém que tivesse um perfil popular e escolhemos o construtor Fredis Saldivar, que além de ser também do antigo grupo do Totó, era de família paraguaia, a maior colônia de nossa cidade.
Fredis era uma pessoa especial. Conversando outro dia com o Dr. Dantas sobre futebol douradense, ele me lembrou que o Operário Futebol Clube, clube de raízes populares de nossa cidade, cresceu pela influencia e com o status do Fredis. E acabou depois que ele morreu.
Durante a campanha tivemos alguns casos pitorescos, como uma reunião abaixo da Vila Rosa, onde hoje é Vila Hiran de Matos. Não tinha energia e perguntado sobre algum problema ele sapecou a resposta: “Isso é mesmo que bater em índio. Não dá em nada”. Quando conseguimos enxergar melhor pudemos ver que a maioria na reunião eram índios. Perdemos todos os votos dalí.
No fim da campanha ele estava tão animado em ganhar a eleição, que dizia para mim que ganharíamos a eleição até sem os votos dos corintianos.
Quando da escolha do candidato a Governador, Pedro indicou o José Elias e pela primeira vez, na política, tive arrependimento de não ter um chefe, ter alguém para resolver o problema para nós. Dividi o peso da responsabilidade com o diretório ligado a mim.
Pedro me chamou e, com medo de eu arrepiar daquele projeto, me convidou para ir junto com ele na convenção do partido. Fui junto e o José Elias prometeu igualdade na eleição de prefeito.
Apesar de ser adversário aqui, apoiamos o José Elias para o governo por ser de Dourados.
O nosso candidato ao senado era o Italivio Coelho. Para Deputado Federal apoiamos o Saulo Queiroz, que não morava em Mato Grosso do Sul, e que muito bem relacionado em Brasília, já tinha sido Secretário de Estado e teve de mudar para Dourados, pois só o apoiávamos nessas condições.
O Deputado Estadual nosso era o Roberto Djalma. Vereador aguerrido, intrépido (Como dizia o Professor Celso Amaral) e que tinha vivido política desde criança, acompanhando seu pai, Moacir Djalma Barros, famoso escudeiro de Totó.
José Elias perdeu por 20 mil votos no Estado para Dr. Wilson Martins. Marcelo Miranda ganhou para o Senado.
Perdemos a eleição para o Luiz Antonio.
Só os nossos Deputados ganharam. Foi o ano da mudança geral. Todos queriam votar na oposição, que acabou fazendo a grande maioria dos governadores.
As eleições de 1982 foram uma das mais importantes dos últimos tempos, pois além de ser a ultima do regime militar, foi a maior de todas as eleições. Naquele ano teve eleição de Governador, Senador, Deputado Federal, Deputado Estadual, Prefeito e Vereador.
Aqui em Mato Grosso do Sul ainda tinha uma importância a mais, pois iria eleger o seu primeiro Governador.
As movimentações políticas começaram bem antes. Em Dourados iniciaram dois anos antes.
Aqui na época, tinham duas correntes fortes. O prefeito José Elias Moreira, companheiro do governador Pedro Pedrossian tinha ganho a eleição de prefeito do grupo adversário em 1976. O ex- prefeito João Totó Câmara tinha apoiado o seu vice, Lauro Machado que perdeu a eleição, e era o outro grupo forte. Quando viu o que estava sendo armado, Totó resolveu sair do PDS e entrar no PMDB.
O Governador nos chamou e através do Chefe da Casa Civil, nos ofereceu a sublegenda do PDS 2. Reunimos o grupo inteiro e, depois de muito tentar remover o Totó da idéia de sair do partido e não conseguindo, resolveu-se, pela grande maioria presente, aceitar a proposta do Governador.
Tínhamos, juntos com o Totó, preparado uma chapa de candidatos a vereador bem forte, e conseguimos manter a maioria deles. Para vice-prefeito fomos atrás de alguém que tivesse um perfil popular e escolhemos o construtor Fredis Saldivar, que além de ser também do antigo grupo do Totó, era de família paraguaia, a maior colônia de nossa cidade.
Fredis era uma pessoa especial. Conversando outro dia com o Dr. Dantas sobre futebol douradense, ele me lembrou que o Operário Futebol Clube, clube de raízes populares de nossa cidade, cresceu pela influencia e com o status do Fredis. E acabou depois que ele morreu.
Durante a campanha tivemos alguns casos pitorescos, como uma reunião abaixo da Vila Rosa, onde hoje é Vila Hiran de Matos. Não tinha energia e perguntado sobre algum problema ele sapecou a resposta: “Isso é mesmo que bater em índio. Não dá em nada”. Quando conseguimos enxergar melhor pudemos ver que a maioria na reunião eram índios. Perdemos todos os votos dalí.
No fim da campanha ele estava tão animado em ganhar a eleição, que dizia para mim que ganharíamos a eleição até sem os votos dos corintianos.
Quando da escolha do candidato a Governador, Pedro indicou o José Elias e pela primeira vez, na política, tive arrependimento de não ter um chefe, ter alguém para resolver o problema para nós. Dividi o peso da responsabilidade com o diretório ligado a mim.
Pedro me chamou e, com medo de eu arrepiar daquele projeto, me convidou para ir junto com ele na convenção do partido. Fui junto e o José Elias prometeu igualdade na eleição de prefeito.
Apesar de ser adversário aqui, apoiamos o José Elias para o governo por ser de Dourados.
O nosso candidato ao senado era o Italivio Coelho. Para Deputado Federal apoiamos o Saulo Queiroz, que não morava em Mato Grosso do Sul, e que muito bem relacionado em Brasília, já tinha sido Secretário de Estado e teve de mudar para Dourados, pois só o apoiávamos nessas condições.
O Deputado Estadual nosso era o Roberto Djalma. Vereador aguerrido, intrépido (Como dizia o Professor Celso Amaral) e que tinha vivido política desde criança, acompanhando seu pai, Moacir Djalma Barros, famoso escudeiro de Totó.
José Elias perdeu por 20 mil votos no Estado para Dr. Wilson Martins. Marcelo Miranda ganhou para o Senado.
Perdemos a eleição para o Luiz Antonio.
Só os nossos Deputados ganharam. Foi o ano da mudança geral. Todos queriam votar na oposição, que acabou fazendo a grande maioria dos governadores.
LOCUTORES DOS ANOS SESSENTA
Isaac Duarte de Barros Junior *
No primeiro número deste jornal, que nasceu há muitos anos, no dia 21 de abril de 1951, ele trouxe estampada em sua primeira página, a notícia do surgimento inaugural para breve, da futura ZYX-23 a primeira emissora de radiodifusão douradense. A rádio clube de Dourados na freqüência das ondas médias e o acontecimento importante anunciado pelo Dr. Weimar G. Torres, se concretizou. Sendo liberada pelo Ministério das Comunicações, o prédio para funcionar a rádio clube, foi inaugurado pelos irmãos Brunini, na esquina da Rua Paraná (Joaquim Teixeira Alves) com a Rua Maranhão (Nelson de Araújo), em um prédio alugado da CAND (Colônia Agrícola Nacional de Dourados) hoje demolido. O locutor que inaugurou os microfones como primeiro speaker radiofônico, foi o jovem Sócrates Câmara, o qual, muitos anos depois seria eleito prefeito da cidade de Fátima do Sul.
Não transcorreu muito tempo, outro douradense nato, o locutor Sultan Rasslan, passou a fazer parte integrante da equipe gerenciada pelo radialista Edmundo Linatto Ribeiro. Este, sendo um rapaz solteiro bem afeiçoado e tendo vindo de outra região, acabou se casando com uma douradense, ela era filha do corretor Alcides Bilherbeque. O moço Sultan, excelente profissional, tornou-se mais tarde vereador e deputado estadual constituinte por Mato Grosso do Sul, atualmente aposentou-se da carreira política. Dois funcionários de excelente dicção, apresentadores do jornal falado da Rádio Clube, também marcaram época na radiofonia. Eles foram os radialistas Germano Dancigüer e Massao Tadano, o primeiro foi embora para a Bahia com a família e o segundo mudou de residência para o norte do estado e tornou-se deputado, eleito por duas vezes para Câmara Federal.
Por esse local de notícias e entretenimento douradense, passou também um moço de nome João Franco, considerado naquele tempo, uma das mais belas vozes do interior da alta sorocabana, e foi um dos inúmeros locutores contratados pela rádio clube de Dourados, através do então proprietário, jornalista Jorge Antonio Salomão. Gaúcho de nascimento, combativo no temperamento, o polemico Jorge Antonio Salomão se elegeu no final dos anos sessenta, prefeito de Dourados. Mas antes disso, logo após comprar essa tradicional emissora de rádio, o “turco” a transferiu para o edifício Santa Rita, na Avenida Presidente Vargas e dali para a Rua Ciro Melo, em sede própria. Com profundo conhecimento da profissão de radialista, o jornalista Jorge Antonio, na sua gestão, selecionava rigorosamente os seus funcionários. Foi agindo assim, que o velho contratou o radialista Gilberto Orlando, da cidade de Indiana no interior paulista, para ser locutor e seu diretor comercial. O “tucano” tem agora a mesma última mencionada função, em um conceituado jornal local.
Nos anos sessenta, também trabalharam como locutores na Rádio Clube de Dourados, os radialistas Cícero da Conceição, Percival S. de Assis, Roberto Pompeu, Elias de Oliveira, Leonel Machado, Marco Antonio Cunha, inclusive o Luiz Antonio M. Bussuan, ex-secretário da saúde (nos dias atuais um dos melhores cirurgiões vasculares do estado). Posteriormente, como radialistas de uma geração mais recente de locutores da rádio clube de Dourados, destacamos o jornalista Valfrido Silva e o advogado empresário Marçal Filho, que já foi deputado federal por duas vezes e é proprietário atualmente de uma emissora de rádio FM.
Outro locutor bem sucedido politicamente, da rádio clube de Dourados, é o radialista Albino Mendes, que se formou em direito, e foi vereador presidente da Câmara Municipal de Dourados. Esse locutor culminou a sua ascensão social política, se elegendo vice-prefeito da cidade de Dourados. Nessa onda nostálgica radiofônica, não podem ser esquecidos ou omitidos, os nomes das locutoras Rosemeire Frazão, que foi a primeira mulher a falar nos microfones da rádio clube, nos anos sessenta. Como também das destacadas profissionais da comunicação, as radialistas Laura Marcia e a Beth Salomão, esta última, herdeira das grandes qualidades do seu falecido pai.
Muitos locutores fantásticos passaram rapidamente pelos estúdios dessa emissora de rádio douradense, que serviu de lazer e informação, para a população de nossa vasta região. Nesse tempo, que agora estou recordando saudosamente, relacionando os nomes de locutores vivos e mortos, não havia a concorrência da televisão e nem existiam outras emissoras competindo com a Rádio Clube pela audiência, pois ela era simplesmente a única e monopolizava. As moçoilas, principalmente da zona rural, escreviam centenas de cartas apaixonadas para os locutores da rádio e o sucesso musical das paradas era ditado pelos disque-jóqueis, responsáveis pela programação, que era datilografada numa velha máquina remington, por um moço evangélico corretíssimo de nome Matheus Gnutzman.
Foi esse passado recente para alguns e distante para outros, a era do rádio douradense. E a rádio clube de Dourados, deixou marcas nas lembranças inesquecíveis de muitos. Nessa época, os radialistas eram amados por uns e odiados por outros, mas deixaram e deram a sua contribuição para os meios de comunicação. Eu sei que era e foi assim essa a melhor fase da rádio clube, nossa primeira emissora local, porque nos anos sessenta, eu estive lá como mais um desses locutores contratados...
No primeiro número deste jornal, que nasceu há muitos anos, no dia 21 de abril de 1951, ele trouxe estampada em sua primeira página, a notícia do surgimento inaugural para breve, da futura ZYX-23 a primeira emissora de radiodifusão douradense. A rádio clube de Dourados na freqüência das ondas médias e o acontecimento importante anunciado pelo Dr. Weimar G. Torres, se concretizou. Sendo liberada pelo Ministério das Comunicações, o prédio para funcionar a rádio clube, foi inaugurado pelos irmãos Brunini, na esquina da Rua Paraná (Joaquim Teixeira Alves) com a Rua Maranhão (Nelson de Araújo), em um prédio alugado da CAND (Colônia Agrícola Nacional de Dourados) hoje demolido. O locutor que inaugurou os microfones como primeiro speaker radiofônico, foi o jovem Sócrates Câmara, o qual, muitos anos depois seria eleito prefeito da cidade de Fátima do Sul.
Não transcorreu muito tempo, outro douradense nato, o locutor Sultan Rasslan, passou a fazer parte integrante da equipe gerenciada pelo radialista Edmundo Linatto Ribeiro. Este, sendo um rapaz solteiro bem afeiçoado e tendo vindo de outra região, acabou se casando com uma douradense, ela era filha do corretor Alcides Bilherbeque. O moço Sultan, excelente profissional, tornou-se mais tarde vereador e deputado estadual constituinte por Mato Grosso do Sul, atualmente aposentou-se da carreira política. Dois funcionários de excelente dicção, apresentadores do jornal falado da Rádio Clube, também marcaram época na radiofonia. Eles foram os radialistas Germano Dancigüer e Massao Tadano, o primeiro foi embora para a Bahia com a família e o segundo mudou de residência para o norte do estado e tornou-se deputado, eleito por duas vezes para Câmara Federal.
Por esse local de notícias e entretenimento douradense, passou também um moço de nome João Franco, considerado naquele tempo, uma das mais belas vozes do interior da alta sorocabana, e foi um dos inúmeros locutores contratados pela rádio clube de Dourados, através do então proprietário, jornalista Jorge Antonio Salomão. Gaúcho de nascimento, combativo no temperamento, o polemico Jorge Antonio Salomão se elegeu no final dos anos sessenta, prefeito de Dourados. Mas antes disso, logo após comprar essa tradicional emissora de rádio, o “turco” a transferiu para o edifício Santa Rita, na Avenida Presidente Vargas e dali para a Rua Ciro Melo, em sede própria. Com profundo conhecimento da profissão de radialista, o jornalista Jorge Antonio, na sua gestão, selecionava rigorosamente os seus funcionários. Foi agindo assim, que o velho contratou o radialista Gilberto Orlando, da cidade de Indiana no interior paulista, para ser locutor e seu diretor comercial. O “tucano” tem agora a mesma última mencionada função, em um conceituado jornal local.
Nos anos sessenta, também trabalharam como locutores na Rádio Clube de Dourados, os radialistas Cícero da Conceição, Percival S. de Assis, Roberto Pompeu, Elias de Oliveira, Leonel Machado, Marco Antonio Cunha, inclusive o Luiz Antonio M. Bussuan, ex-secretário da saúde (nos dias atuais um dos melhores cirurgiões vasculares do estado). Posteriormente, como radialistas de uma geração mais recente de locutores da rádio clube de Dourados, destacamos o jornalista Valfrido Silva e o advogado empresário Marçal Filho, que já foi deputado federal por duas vezes e é proprietário atualmente de uma emissora de rádio FM.
Outro locutor bem sucedido politicamente, da rádio clube de Dourados, é o radialista Albino Mendes, que se formou em direito, e foi vereador presidente da Câmara Municipal de Dourados. Esse locutor culminou a sua ascensão social política, se elegendo vice-prefeito da cidade de Dourados. Nessa onda nostálgica radiofônica, não podem ser esquecidos ou omitidos, os nomes das locutoras Rosemeire Frazão, que foi a primeira mulher a falar nos microfones da rádio clube, nos anos sessenta. Como também das destacadas profissionais da comunicação, as radialistas Laura Marcia e a Beth Salomão, esta última, herdeira das grandes qualidades do seu falecido pai.
Muitos locutores fantásticos passaram rapidamente pelos estúdios dessa emissora de rádio douradense, que serviu de lazer e informação, para a população de nossa vasta região. Nesse tempo, que agora estou recordando saudosamente, relacionando os nomes de locutores vivos e mortos, não havia a concorrência da televisão e nem existiam outras emissoras competindo com a Rádio Clube pela audiência, pois ela era simplesmente a única e monopolizava. As moçoilas, principalmente da zona rural, escreviam centenas de cartas apaixonadas para os locutores da rádio e o sucesso musical das paradas era ditado pelos disque-jóqueis, responsáveis pela programação, que era datilografada numa velha máquina remington, por um moço evangélico corretíssimo de nome Matheus Gnutzman.
Foi esse passado recente para alguns e distante para outros, a era do rádio douradense. E a rádio clube de Dourados, deixou marcas nas lembranças inesquecíveis de muitos. Nessa época, os radialistas eram amados por uns e odiados por outros, mas deixaram e deram a sua contribuição para os meios de comunicação. Eu sei que era e foi assim essa a melhor fase da rádio clube, nossa primeira emissora local, porque nos anos sessenta, eu estive lá como mais um desses locutores contratados...
A SANEMAT e a falta d’água (Segunda Parte)
Braz Melo (*)
Ao entrar o governador Garcia Neto em março de 1975, seu filho Eng. José Luiz Borges Garcia assumiu a SANEMAT e modificou toda a estrutura da empresa, criando aqui em Dourados uma regional e me convidou para ser o gerente. Aceitei e parti para esse grande desafio.
Existia um poço profundo com mais de 1000 metros de profundidade, feito ao lado da caixa da Presidente Vargas, mas que testado, saía muita areia, pois não tinha filtro que conseguisse segurar o arenito do aqüífero Botucatu. Tentamos outro poço, feito pela Petrobras, que além de muito longe, tinha o mesmo problema do primeiro.
Depois de estudos, perfuramos diversos poços de 100 metros, que amenizou o problema de falta d’água.
Fizemos um projeto com anéis de distribuição e com isso conseguimos ter pressão e água em muitas horas do dia por região.
Após dois incêndios em nossa cidade, na Comercial Ouro e na Brastintas, foram instalados os primeiros hidrantes.
Trabalharam nesta época conosco no escritório, além dos antigos, o Primo, a Darlé, o Luis Alberto. O Buca e o Beto Urtigão como leituristas e entregadores de contas.
Na área operacional já estavam o José Braga da Silva, o Juca Ramos Rosa, o Juraci, o Laércio. Depois vieram também o Sergio e o Zezinho, que juntos com o pessoal que fez o esgoto melhorou bastante o desempenho da SANEMAT em nossa cidade.
Para ajudar o José Eduardo na parte elétrica e mecânica, contratamos o Valdir Pippus e o Valmir, depois de Cuiabá ter mandado o Pereira como auxiliar e não dar certo.
A falta d’água continuava, mas junto com os funcionários fazíamos tudo para amenizar este desconforto. Quase diariamente fazíamos plantão e tentávamos resolver as reclamações que tínhamos durante o dia. De madrugada, muitas vezes encontrávamos os reservatórios das casas dos que reclamavam sem bóia, para entrar mais fácil o precioso líquido e no outro dia podíamos dar uma resposta convincente aos usuários.
Como aumentou o numero de poços e para cada poço precisaria de quatro operadores, criamos os operadores com uma moto. Para isso vieram trabalhar o Sidney, o Renê Sutil, o João (Zorro) e o Cícero. Tinha hora para bater ponto em cada poço. Com isso tivemos um trabalho mais barato e melhor fiscalizado, pois uma vez ao visitar um poço de madrugada e pegar o operador dormindo, não o acordei, levei a sua bicicleta para o escritório e no outro dia, além da gozação, ele teve de reconhecer seu erro.
A SANEMAT foi tão importante na minha vida profissional que há poucos dias conversando com uma senhora, ela me disse que devia um favor muito grande para mim. Quis saber dela o porquê, e antes dela falar pensei que seria porque, como prefeito tinha feito o asfalto da linha de ônibus na frente da casa dela, ou por causa do CEU feito na rua de cima, da creche ou de outro beneficio feito a sua comunidade, e ela me disse que foi porque fiz a rede de abastecimento e levei água para ela. Antes, ela buscava água a duzentos metros de distancia, pois morava na parte baixa do Jardim Santa Brígida, e ali o basalto quase aflora e é caríssimo fazer poço.
Em 1978 fui convidado pelo José Luiz para assumir a Gerencia de Campo Grande, pois além de ser a maior cidade do Estado estava se preparando para ser a nova capital e ajudar na organização da nova empresa que seria criada, a SANESUL.
Quando criada a SANESUL, fui seu primeiro vice-presidente, nomeado pelo Dr. Harry Amorim Costa. Continuei com o Marcelo e com o Pedrossian.
Participei, com muita honra do projeto de água do Rio Dourado, que hoje resolveu o problema da falta d’água de Dourados.
Ao entrar o governador Garcia Neto em março de 1975, seu filho Eng. José Luiz Borges Garcia assumiu a SANEMAT e modificou toda a estrutura da empresa, criando aqui em Dourados uma regional e me convidou para ser o gerente. Aceitei e parti para esse grande desafio.
Existia um poço profundo com mais de 1000 metros de profundidade, feito ao lado da caixa da Presidente Vargas, mas que testado, saía muita areia, pois não tinha filtro que conseguisse segurar o arenito do aqüífero Botucatu. Tentamos outro poço, feito pela Petrobras, que além de muito longe, tinha o mesmo problema do primeiro.
Depois de estudos, perfuramos diversos poços de 100 metros, que amenizou o problema de falta d’água.
Fizemos um projeto com anéis de distribuição e com isso conseguimos ter pressão e água em muitas horas do dia por região.
Após dois incêndios em nossa cidade, na Comercial Ouro e na Brastintas, foram instalados os primeiros hidrantes.
Trabalharam nesta época conosco no escritório, além dos antigos, o Primo, a Darlé, o Luis Alberto. O Buca e o Beto Urtigão como leituristas e entregadores de contas.
Na área operacional já estavam o José Braga da Silva, o Juca Ramos Rosa, o Juraci, o Laércio. Depois vieram também o Sergio e o Zezinho, que juntos com o pessoal que fez o esgoto melhorou bastante o desempenho da SANEMAT em nossa cidade.
Para ajudar o José Eduardo na parte elétrica e mecânica, contratamos o Valdir Pippus e o Valmir, depois de Cuiabá ter mandado o Pereira como auxiliar e não dar certo.
A falta d’água continuava, mas junto com os funcionários fazíamos tudo para amenizar este desconforto. Quase diariamente fazíamos plantão e tentávamos resolver as reclamações que tínhamos durante o dia. De madrugada, muitas vezes encontrávamos os reservatórios das casas dos que reclamavam sem bóia, para entrar mais fácil o precioso líquido e no outro dia podíamos dar uma resposta convincente aos usuários.
Como aumentou o numero de poços e para cada poço precisaria de quatro operadores, criamos os operadores com uma moto. Para isso vieram trabalhar o Sidney, o Renê Sutil, o João (Zorro) e o Cícero. Tinha hora para bater ponto em cada poço. Com isso tivemos um trabalho mais barato e melhor fiscalizado, pois uma vez ao visitar um poço de madrugada e pegar o operador dormindo, não o acordei, levei a sua bicicleta para o escritório e no outro dia, além da gozação, ele teve de reconhecer seu erro.
A SANEMAT foi tão importante na minha vida profissional que há poucos dias conversando com uma senhora, ela me disse que devia um favor muito grande para mim. Quis saber dela o porquê, e antes dela falar pensei que seria porque, como prefeito tinha feito o asfalto da linha de ônibus na frente da casa dela, ou por causa do CEU feito na rua de cima, da creche ou de outro beneficio feito a sua comunidade, e ela me disse que foi porque fiz a rede de abastecimento e levei água para ela. Antes, ela buscava água a duzentos metros de distancia, pois morava na parte baixa do Jardim Santa Brígida, e ali o basalto quase aflora e é caríssimo fazer poço.
Em 1978 fui convidado pelo José Luiz para assumir a Gerencia de Campo Grande, pois além de ser a maior cidade do Estado estava se preparando para ser a nova capital e ajudar na organização da nova empresa que seria criada, a SANESUL.
Quando criada a SANESUL, fui seu primeiro vice-presidente, nomeado pelo Dr. Harry Amorim Costa. Continuei com o Marcelo e com o Pedrossian.
Participei, com muita honra do projeto de água do Rio Dourado, que hoje resolveu o problema da falta d’água de Dourados.
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